28
Jan
10

Janeiro… chuva e filmes!

O mês de janeiro nem acabou, mas já deixou sua marca na história como o período mais chuvoso dos últimos dez anos. Eu nem tenho do que reclamar, pois amo chuva! E todas as noites, embaladas pela trilha sonora local do som da chuva lá fora, e por algumas horas deixo de lado minha própria história para me inserir num mundo à parte, em histórias que não me pertencem, em cenários que nunca estive, com personagens que jamais conhecerei na vida real.

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PRECIOUS Based on the Novel Push by Sapphire

Não é um filme entretenimento. É uma história triste sobre uma adolescente negra e obesa que vive no Harlem, NY, e sofre abusos físicos e psicológicos em casa. Grávida de seu segundo filho (ambos de abuso sexual sofrido pelo próprio pai), Claireece “Precious” Jones (Gabourey Sidibe) é expulsa do colégio, mas com a ajuda da diretora consegue uma vaga para estudar numa escola experimental para jovens com dificuldade. Lá, com ajuda da professora ela consegue lutar contra a violência sofrida em casa e buscar um novo caminho para seguir a vida. Destaque para a atuação de M’onique, atriz que interpreta a mãe da adolescente. Em uma das cenas finais, quando ela conversa com a assistente social (Mariah Carey) é de arrepiar!

Gabourey Sibide como "Precious"

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DISTRICT 9

Esqueça tudo o que você já viu nos cinemas sobre extraterrestres! A humanidade esperava por um ataque hostil ou por gigantes avanços tecnológicos, nada disso veio. Os alienígenas chegam à Terra como refugiados e se instalam em uma área da África do Sul, o Distrito 9, enquanto os humanos decidem o que fazer com eles. A Multi-National United (MNU) é uma empresa contratada para controlar os alienígenas e mantê-los em campos de concentração e deseja receber imensos lucros para fabricar armas que tenham como “matéria-prima” as defesas naturais dos extraterrestres. Mas a MNU falha na tentativa de fabricação das armas e descobre que para que elas sejam ativadas, o DNA dos aliens é necessário. O tensão entre humanos e aliens aumenta quando Wikus van der Merwe espalha um misterioso vírus que modifica o DNA das criaturas impedindo a poderosa MNU de colocar em prática seus planos de exploração sobre as criaturas de outro planeta. Então o homem que se torna o mais procurado do mundo, tem que fugir, e sem casa e sem amigos, só tem um lugar onde se esconder: Distrito 9.

Wikus Van De Merwe em diálogo com um "camarão".

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An Education

Um história gostosa de assistir! Durante a década de 1960 a vida de Jenny (Carey Mulligan) muda radicalmente depois que conhece David (Peter Sarsgaard), um homem mais velho que a encanta ao apresentar-lhe uma vida totalmente diferente da que ela conhecia. Dedicada aos estudos, Jenny sonha em ir para a Universidade de Oxford, mas envolvida com David, ela se divide em seguir com os planos traçados por ela e seus pais ou arriscar tudo casando-se com o homem que a conquistou.

Jenny e David em Paris

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ANTICHRIST

Um filme perturbador! Polêmico como sempre, Lars Von Trier nos faz retorcer na cadeira ao testemunharmos algumas cenas de tortura no filme. Confesso que tive que fechar os olhos algumas vezes, pois eu sei que tenho estômago fraco para algumas coisas. A história é sobre um casal que perde o filho num acidente doméstico. Em depressão profunda, a esposa recebe ajuda do marido que é psiquiatra e juntos viajam para uma pequena cabana no meio da floresta. Lá, ambos irão enfrentar o próprio medo e descobrir que muitas vezes a natureza humana pode ser mais perversa que imaginamos. O filme com fotografia impecável e interpretações intensas de Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg.

Charlotte e Willem numa das primeiras cenas do filme.

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500 DAYS OF SUMMER

Uma comédia romântica que foge do roteiro “rapaz+garota+problema+solução+final feliz”… Não é uma história com final de contos de fadas, mas é uma inovação que deu certo. Um filme leve e cativante que prende do começo ao fim. Summer Finn (Zooey Deschanel) é uma garota linda, com um gosto incrível para música, perfeita para Tom Hanson (Joseph Gordon-Levitt), um garoto esperto, boa praça e com um excelente gosto para música e cinema. E, como nas histórias de amor, eles acabam juntos – mas, como na vida real, não por todo o sempre. Summer não acredita no amor a longo prazo, graças ao trauma do divórcio dos pais. Rejeitado, Tom nos conta como foi sua história de 500 dias com Summer.

Zooey Deschanel e Joseph Gordon-Levitt

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18
Jan
10

Golden Globe 2010

Tinha meus favoritos para premiação, mas acho que esse ano não me decepcionei tanto!

Queria muito que Matthew Morrison tivesse levado o prêmio de melhor ator de série comédia ou musical! Queria muito também que True Blood tivesse ganhado de melhor série drama, assim como queria que James Cameron devolvesse o prêmio de melhor diretor para Jason Reitman de Up in the Air. Não que Cameron não merecesse, Avatar é um filme maravilhoso, muito bom mesmo e merece estar entre os indicados, mas acho que não valia tudo isso… Não merecia ter conquistado o posto de melhor filme, Inglorious Basterds e Precious são melhores, mesmo não tendo arrecadado a segunda maior bilheteria dos últimos anos. Avatar é mais comercial, mais capitalista e por isso conquistou tantos fãs mundo afora.

AVATAR levou o Golden Globe de melhor filme do ano!

Avatar levou a melhor da noite, mas eu daria o Golden Globe direto na mão de Tarantino para melhor filme com Basterds… Merecia! Muito…

Não gostei de The Hangover ter levado o prêmio de melhor filme comédia, mil vezes (500) of Summer ou Nine que não vi ainda, mas tenho certeza que é muito bom. The Hangover é um filme tão chato, não sei que graça os americanos viram naquela história bizarra e tão desconexa! A melhor coisa do filme é a presença do maravilhoso Bradley Cooper e SÓ!

Série eu sou muito fã de True Blood, apesar de ainda não ter assistido Mad Men que saiu campeão da categoria e já vou vou procurar assistir, pois pelo visto deve ser uma série boa mesmo! Vamos ver…
AMEI que Glee levou o prêmio como melhor série comédia ou musical, é uma comédia muito boa, engraçadinha e divertida, principalmente para apaixonados por musicais, como é meu caso!

Sou muito fã de Sandra Bullock e acho que ela está ótima em The Blind Side, mas acho que Gabourey Sidibe de Precious e Carey Mulligan de An Education também mereciam o prêmio, assim como a veterana Helen Mirren que sempre dá show de interpretação em qualquer papel que trabalhe.

Meryl Streep é um caso a parte. Apesar de não ter gostado muito de Julie & Julia, acho ela a melhor atriz entre todas as concorrentes, não tem para ninguém! A melhor atriz dos últimos tempos, nas minha singela opinião!

Robert Downey Jr., sou fã de carterinha do cara e teria mesmo dado o prêmio à ele por Sherlock Holmes, que ainda não vi, mas pelo que tenho ouvido falar é excelente! Melhor atriz coadjuvante para M’onique foi mais que merecido, me arrepio quando lembro da personagem dela no filme Precious, ela está DEMAIS, simplesmente insuperável! Assim como Christoph Waltz que está o máximo no papel do nazista malvado em Inglorious Basterds, prêmio mais que merecidissímo para ambos coadjuvantes!

M'onique vencedora como melhor atriz coadjuvante por Precious.

Ainda não vi Crazy Heart para falar de Jeff Bridges que ganhou como melhor ator drama, mas pela recepção da platéia, o prêmio foi merecido! Preciso conferir!

Queria muito que Jane Lynch de Glee tivesse ganhado de melhor atriz coadjuvante na categoria séria comédia, mas a também excelente Toni Collette levou por seu papel em US of Tara que ainda não foi lançado no Brasil, vamos aguardar e conferir!

Michael C. Hall  levou o prêmio merecidíssimo como melhor ator de série drama por Dexter.

Michael C. Hall com o prêmio de melhor ator de série drama.

Injustiça também Where the Wild Things Are não ter levado o prêmio de melhor trilha sonora original, pois eu acho que não tem para niguém. A trilha sonora do filme é o máximo, muito boa mesmo!

Melhor animação com UP não foi surpresa, merecido também, um filme muito bonitinho e bem feito.

Ah, uma pequena observação: A-D-O-R-E-I a apresentação de Ricky Gervais. O inconfundível humor britânico e um sotaque delicioso deram um ar estiloso ao evento!

Rick Gervais

Agora vamos aguardar o Oscar e esperar que algumas escolhas sejam diferentes para não cair na unanimidade, pois como disse nosso querido Nelson Rodrigues, “toda unanimidade é burra”.

05
Jan
10

Receita para 2010

apresentacao11

De tudo, ficaram três coisas:
A certeza de que estamos sempre começando
A certeza de que precisamos continuar
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar

Portanto devemos:
Fazer da interrupção um caminho novo
Da queda, um passo de dança
Do medo, uma escada

Do sonho, uma ponte
Da procura, um encontro!

Fernando Sabino

03
Jan
10

Impossível…

Eu gosto do impossível,

tenho medo do provável,

dou risada do ridículo

e choro porque tenho vontade,

mas nem sempre tenho motivo.

Tenho um sorriso confiante

que às vezes não demonstra

o tanto de insegurança por trás dele.

Sou inconstante e talvez imprevisível.

Não gosto de rotina.

Eu amo de verdade aqueles pra quem eu digo isso,

e me irrito de forma inexplicável

quando não botam fé nas minhas palavras.

Nem sempre coloco em prática aquilo que eu julgo certo.

São poucas as pessoas pra quem eu me explico.

01
Jan
10

Ano novo, vida nova…

girl_m

“Chega de ficar quebrando a cara
com os velhos erros de sempre.
Quero cometer erros novos,
passar por apertos diferentes,
experimentar situações desconhecidas,
sair da rotina e do lugar comum.
Esse ano eu preciso crescer.
Chega de saber a saída
e ficar parado na porta,
ensaiando os passos
sem nunca entrar na estrada,
esperando que me venha
o que eu mais preciso encontrar.
Esse ano, se eu tiver que sofrer,
será por sofrimentos reais,
nunca mais por males imaginários,
preocupado com coisas
que jamais acontecerão.
Chega de planejar o futuro
e tropeçar no presente.
Chega de pensar demais e fazer de menos.
Chega de pensar de um jeito e fazer de outro.
Chega de corpo dizer sim e a cabeça não.
Chega desses intermináveis conflitos que
me fazem adiar para nunca a minha decisão.
Este ano eu vou viver”.

Vinícius de Moraes

24
Dez
09

Human

close your eyes, clear your heart
cut the cord
are we human or are we dancer
my sign is vital, my hands are cold
and I’m on my knees looking for the answer
are we human or are we dancer (…)
21
Dez
09

Eu gosto mesmo é de gente chata

Pensando bem, se fossem escrever algum filme sobre mim eu jamais seria a mocinha da história. Não que não tenha qualidades para a personagem, isso acho que até tenho (ou tento..). Mas o maior problema das heroínas que superlotam os contos da literatura, é que elas são boazinhas demais! Eu não teria sangue de barata para passar uma vida com lágrimas nos olhos, chorando pelos cantos, aguentando traições e depois perdoando o canalha que me fez sofrer. Seria forte sim, como algumas são, mas teria uma pitada de real. Para mim não existem pessoas que são 100%, 24 horas por dia, sempre boas e distintas, sempre com a intenção de ajudar alguém e sem coragem para qualquer “canalicizinha”. Tudo bem, existem pessoas boas, mas bobas não se encontram mais hoje em dia né?! Existe até um ditado muito utilizado que ‘a vida é uma selva, vence quem sabe se defender, lutar com unhas e dentes pela sobrevivência’. O que existe é gente falsa, lobo em pele de cordeiro mesmo. Se faz de bonzinho, te conquista, se faz de coitadinho e quando pode, te esfaqueia pelas costas… Aí você só percebe a covardia quando é tarde demais.

Eu gosto e admiro gente chata. Gente que sabe ser sincera e honesta, sabe ser gentil, verdadeira e sabe até ajudar quando preciso. São pessoas geralmente mal interpretadas, tidas por metidas, arrogantes, mas não fazem nada além do que todo mundo deveria fazer, viver a própria vida. Não se interessam por fofocas de vizinhos e raramente se misturam em rodinhas de happy-hour para falar mal do chefe ou “malhar” algum pobre coitado colega de trabalho. Não estão nem um pouco preocupados em agradar. São o que são e pronto! Quem gosta dessas pessoas, gosta pelo que realmente são e não pelo que interpretam na vida social.

As pessoas chatas são inteligentes e cultas. São diretas e pode ser que algumas vezes sejam maldosas, não pelo prazer de o serem, mas porque possuem uma personalidade forte e marcante. Precisam ser notadas, não só pela chatice que incomoda a opinião pública, mas também pelas conquistas e vitórias que acumulam no decorrer da vida. São batalhadoras e não costumam sonhar, idealizam. Tomam posse daquilo que almejam antes mesmo de possuírem, pois têm o dom de serem confiantes, e confiança é diferente de arrogância. São determinadas e perfeccionistas. São também combatentes corajosos que não desistem no primeiro obstáculo, agüentam até o limite e quando desistem, não é por serem covardes, mas por não estarem nunca a mercê da hipocrisia e desonestidade que assola a nossa sociedade.

Pessoas chatas não precisam andar com os dentes arreganhados para parecem simpáticos (se o são é quase sempre genético). Não precisam de simpatia, eles colecionam admiração de muita gente (mesmo que essas próprias pessoas não admitam). Por serem sempre os mesmos, faça chuva ou faça sol, os chatos são invejados por pessoas que precisam fingir todos os dias. Você encontra no elevador aquela mocinha do andar de baixo que está sempre sorrindo, desejando “bom dias” até para o poste, mas em casa só os familiares sabem o quanto é insuportável e mal-educada. Ela gentil e delicadamente lhe sorri e comenta “como o dia está lindo, como o sol está agradável e as flores? Como estão perfumadas”! O olhar do chato nem precisa de interpretação. Fala por si. Não que não admire as mesmas coisas, só não precisa anunciar a qualquer um aquilo que está sentindo, ou aquilo que o encantou. Ele admira e pronto. Todo sol se põe. Toda flor murcha. Todo dia vira noite… E todos os dias você têm que repetir o quanto se encanta com as criações divinas?

Outra coisa de chato que me atrai é que mesmo tendo opiniões, ele não precisa colocar uma faixa na cabeça e anunciar aos quatro ventos. Ele o guarda para si e na hora certa se precisar, ele elegantemente expões seus pontos de vista. É acima de tudo uma questão de que hoje as pessoas mudam muito fácil de opinião, se baseiam muito pela moda. No Verão são hippies porque leram numa revista “chiquérrima” e antenada que em “New York” todos estão se vestindo assim. Quando chega o inverno, o certo mesmo é ser gótico porque todo mundo está saindo de preto na Europa. Agora, que graça tem você estar sempre igual a todos? O mundo prega a individualidade (principalmente em comerciais de perfume na televisão), mas vive querendo impor uma ditadura a toda sociedade. “A moda desse Verão é cabelo louro-acinzentado”. Mulheres em debandada que não querem ficar fora das tendências, lotam os salões para terem o cabelo da mesma cor. “Essa estação pede ‘retrô’ e listrado”. O resultado: uma multidão nas ruas cheirando a naftalina e parecendo palhaços de circo.

Os chatos não ligam para moda. Querem ser autênticos, originais e se preocupam mais com o que são por dentro do que por fora, não que o cuidado físico seja dispensado, o que não acontece é um alistamento cego à uma ditadura bizarra de ser carne, osso e… só! E é uma qualidade de pessoas que têm ousadia para se destacar de uma remessa de seres humanos com um defeito de fábrica: a mediocridade.

Esses são apenas alguns detalhes que admiro em gente chata e concluo esse texto com um pedido de desculpa aos bonzinhos. Fiquem tranqüilos, o mundo ainda tem lugar para todos. Por enquanto…

Mauren Ribeiro

19
Dez
09

No tempo da minha avó

Minha mãe sempre diz frases do tipo moralista e depois acrescenta a autoria ”como dizia minha mãe”. Na última vez que ouvi isso, fiquei imaginando se daqui alguns anos, se eu tiver filhos, serei capaz de me lembrar desses ditos populares, para numa ocasião oportuna, lançar uma frase do tipo: “Deus ajuda quem cedo madruga” ou ainda ”antes de casar sara”, e para mim a melhor, “o que não mata, engorda”, e acrescentar a autoria “como dizia minha mãe”, ou melhor, “como minha mãe dizia, que dizia sua mãe”. Em ultimo caso, poderei dizer “como dizia a minha avó, segundo minha mãe”, porque não tive oportunidade de ouvir diretamente dela.

Uma coisa que me intriga, é pensar na força que os ditos populares tinham na época da minha avó. Esses ditados eram levados muito a sério. Dizê-los impunha uma postura de quem havia herdado uma sabedoria ancestral e incontestável. Nos dias de hoje, não é raro ouvirmos algumas frases mais conhecidas, mas afirmar que o significado delas esteja correto é meio duvidoso. É quase que um vício deixar escapar um ‘ditadinho’ para tentar algum efeito. Você está numa conversa empolgada com uma amiga sobre o namorado bonitão da outra amiga que a traiu e deixou todo mundo espantado, devido sua postura de rapaz sério. De repente o assunto se esgota e vocês não têm mais o que dizer… É fácil soltar uma frase do tipo: É amiga, “nem tudo que reluz é ouro”!

Lembro-me até hoje do dia em que terminei meu namoro. Foi há três anos. Passei dias amuada, invejando as belas e amadas mocinhas dos filmes da Sessão da Tarde e chorando pelos cantos. Minha mãe tentando me animar. Acho que foi o período em que me apaixonei pelos ditados (minha mãe sempre soube usá-los na hora certa). Se não comia, ouvia: “saco vazio não pára em pé” e me obrigava a engolir um ‘Miojo’ aguado. Se chorava e lamentava da minha infelicidade momentânea, ela me lembrava que “não há mal que perdure, nem dor que não se cure”, e claro me contava histórias e mais histórias de casos parecidos e que terminavam sempre com um final feliz. Nas horas do conselho materno, (sabedoria que não deve ser ignorada), sempre gostei de ouvir que “Deus escreve certo por linhas tortas”. E claro que nos momentos de raiva, em que me reservava para maldizer o inútil do meu ex, eu me encantei por uma frase em especial: “Quem com ferro fere, com ferro será ferido”. Não que eu desejasse que ele se desse mal, mas está aí um ditado que não me deixa mentir, “aqui se faz, aqui se paga”. Mas sei lá, acho que nesse caso, o ditado furou. Ele está muito bem, obrigada. Hoje nem sei por que me dei ao trabalho de guardar “luto” por tanto tempo. Ele era do tipo “por fora bela viola, por dentro pão bolorento”, como dizia minha mãe, segundo sua mãe costumava dizer.

Mas o importante é saber que no tempo da minha avó, os ditados tinham uma força ética e moral inviolável. Hoje nós conhecemos, respeitamos e até nos arriscamos a soltar algumas frases mais conhecidas. O problema é que, nos esquecemos fácil de seus significados, e dizer por dizer pode sair feio, por isso, costumo afirmar que “em boca fechada não entra mosca” e “falar é prata, calar é ouro”.


Mauren Ribeiro

Concorrendo ao prêmio RAC de Jornalismo com essa crônica! Resultado em março/ 2010

17
Dez
09

Escolhas

Todos os dias somos obrigados a tomar decisões e escolher o que consideramos que será melhor. Escolhemos a roupa que iremos usar antes de sair de casa. Depois decidimos sobre qual caminho é melhor, direita ou esquerda, por onde é mais perto. Temos que escolher nosso almoço, se tomamos refrigerante ou suco, ou não bebemos nada. Quando nos deparamos com uma bolsa maravilhosa, o dilema: levar ou não levar? Escolhas. Decisões. Detalhes que podem mudar nossa vida.

Aí surge a velha pergunta: Será que estamos tomando a decisão certa? Será que fizemos a escolha certa? E se erramos, será que era para não ser mesmo? Destino? Burrice? Esperteza?

Perguntas, perguntas, perguntas… Hoje me deparei com um turbilhão de pensamentos confusos, sobre as atitudes que tive até aqui, sobre as decisões que tomei até hoje. Sei que não acertei em todas e se hoje eu descubro que tomei uma decisão errada, que fiz uma escolha errada, será que eu consigo reverter? E se tivesse tomado outro caminho, como estaria minha vida hoje? Será que estaria mais feliz?

Quantos pontos de interrogação… Já não sou mais uma adolescente e me preocupo mais com meu futuro, me preocupo mais com as decisões que faço em minha vida. E se estava tomando sempre as mesmas decisões, acho que devo começar a agir diferente. Ou devo continuar com as escolhas que tomei até aqui e esperar que com elas, as coisas ainda funcionem para mim? Já fiz muitas escolhas erradas, escolhas das quais me arrependo muito, mas sinto que não há como voltar atrás, não posso simplesmente fechar os olhos e desejar que o relógio volte e eu tome uma decisão diferente… Apesar de ter esse costume, de agir errado, ter consciência de que estou tomando uma decisão errada e mesmo assim insistir nela. Depois, quando ponho minha cabeça no travesseiro fico remoendo, desejando voltar atrás imaginando como teria sido se tivesse feito outra escolha. Será que isso é sadio??? Claro que não!!!

É como se fosse um vício. Sou viciada em fazer escolhas erradas. Sou viciada na adrenalina que o sofrimento e o arrependimento me proporcionam. Acho que gosto de sofrer. Às vezes me sinto uma genuína protagonista de novela mexicana, sofredora idiota, burra que não consegue tomar uma estúpida decisão certa na vida! Será que algum dia eu vou fazer a escolha certa??

Tem uma frase que gosto muito de Kevin Arnold que explica um pouco essa minha dúvida: “Acho que todos nós nos arrependemos de desistir de alguma coisa, uma coisa cuja falta sentimos porque fomos preguiços demais ou por não persistimos… ou até mesmo porque tivemos medo”.

Não tenho medo de assumir que minhas escolhas erradas eu tomei por ter medo. Por  medo de sofrer. Medo de ter uma coisa e perder. Assim, preferia não tê-las de uma vez e não sofrer quando as perdesse. Mas o problema é que mesmo não perdendo nada porque não tenho nada a perder eu sinto que não tendo nada eu não sou nada e não vivo nada também. Vivo com medo e acabo me escondendo, me esquivando de coisas legais que poderia viver e não vivo porque tenho medo. Medo, medo, medo… Palavrinha tão pequena e tão assustadora.

Uma vez minha terapeuta me disse que por medo, eu havia construído um muro ao meu redor, uma fortaleza que me protegia de todos os males da vida. Mas não me protegia de mim mesma e eu era egoísta e deixava de viver porque não queria correr o risco de me machucar. Era como uma criança sentada no banco observando de longe outras crianças brincando no play e eu não me juntava a elas porque poderia cair do balanço e me machucar.

E daí?? Todo mundo se machuca e niguém morre por isso. É uma coisa natural, toda ferida cicatriza e apesar de muitas deixarem marcas, elas se curam e não doem por muito tempo. E pensando bem, todo mundo tem medo, nós só devemos saber filtrar esse pequeno inimigo e não deixar que ele domine nossas escolhas…

Acho que a partir de hoje vou fazer as escolhas não com medo de errar, mas com a certeza de que mesmo errando, eu vou aprender com elas e não vou ficar remoendo se estava certa ou não. Vou deixar que a vida me mostre isso…

choices

16
Dez
09

Avatar!

16
Dez
09

Um breve parecer sobre o amor…

Amor:

1- Sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de outrem.

2- Sentimento de dedicação absoluta de um ser a outro, ou a uma causa.

3- Inclinação ditada por laços de família.

4- Inclinação sexual forte por outra pessoa.

5- Apego profundo a valor, coisa ou animal: amor à verdade; amor aos animais.

6- Devoção extrema.

7- Objeto do amor.

O Dicionário Aurélio descreve o amor de diferentes formas.

Nós humanos também.


Sempre acreditei em contos de fadas. Claro que não o bastante para ter a absoluta certeza de que todos os amores são eternos e que todos os apaixonados vivem felizes para sempre. Mas eu acredito que o amor está acima das demais coisas, mesmo que muitas vezes ele seja difícil de ser explicado. E eu falo do amor universal que une as pessoas em laços inexplicáveis (ou não), e não apenas do amor romântico que une duas pessoas apaixonadas numa promessa de amor infinito enquanto dure. Para mim o amor não é o frio no estômago, o suor repentino na palma da mão e nem aquele instinto desconhecido de criar fantasias embaraçosas sobre a figura amada e ter a repentina certeza de que jamais viveria sem o objeto desse sentimento.

Acredito que Camões ao descrever o amor como “fogo que arde sem se ver, ferida que dói e não se sente, contentamento descontente, dor que desatina sem doer”, conseguiu transpor em palavras aquilo que somente quem sente sabe de verdade o que sente e desvendou um mistério milenar. Desde que o homem se transformou nesse ser racional e emocional, tal qual conhecemos hoje, ele questiona os sentimentos, assim como fez mais uma vez o sábio poeta português que traduz o amor como “um não sei o quê, que nasce não sei onde, vem não sei como e dói não sei por que”.

Algumas pessoas parecem ter uma intimidade quase física com o amor enquanto outras o observam de longe, sem o tocar, sem falar com ou sobre ele. Aprendi que as diferentes maneiras com a qual o enxergamos não depende de raça, tipo sanguíneo ou qualquer outro estereótipo decodificado. Depende de nossa disponibilidade em aceitá-lo, em deixá-lo fazer parte de nós e não o termos apenas como um sentimento parasita que depende de nossas emoções para sobreviver.

Em 2001, numa de minhas súbitas ‘paixonites’ eu fiquei temporariamente romântica a ponto de escrever sobre o amor que achava que nutria pelo pobre rapaz. Numa pequena observação sobre o sentimento tão incompreendido e ao mesmo tempo tão claro que supunha sentir, cheguei a uma conclusão clichê, porém na época, era a única que podia me permitir. “(…) mas julgue o amor aquele que não o conheceu. Julgue e justifique-o aquele que não enfrentou cara a cara nosso maior inimigo. Nosso advogado, nosso fiador, nosso assassino e nosso criador. Descreva-o em palavras aquele que pode entender o verdadeiro revelador de nossas vidas. A indescritível e imortal razão desse mundo. Um sentimento abstrato, mas vivo, que mora no coração de todos, mas por todos é incompreendido. Apenas um desconhecido”. Claro que mesmo com meus 20 anos eu não fazia idéia do que era o amor, assim como ainda não o sei hoje e é isso que me impele a escrever sobre ele, pois mesmo sendo o amor um completo forasteiro para mim, tenho por ele um inexplicável respeito e ouso, dentro de meus limites intelectuais, discuti-lo e quem sabe, compreendê-lo.

A lembrança que me vem à mente quando penso em algo para traduzir a primeira fagulha de entendimento que tive sobre o amor, é uma pequena cena que aconteceu entre meus quatro e cinco anos. Estava sentada na sala assistindo algum desenho animado na tevê, um pequeno trapo de manta na mão – me recusava a jogá-lo fora – o dedão da mão esquerda na boca. Uma menininha loira com os cabelos emaranhados de quem acabara de acordar. Sem prestar muita atenção na história, escutava de longe um choro contido e silencioso que vinha da cozinha onde minha mãe sentada numa cadeira à mesa escolhia feijão. Não podia ver, mas hoje posso imaginar que as lágrimas lhe saiam pesadas dos olhos e escorriam pela face antes de cair na superfície lisa de madeira. Imagino que uma grossa lágrima tenha lhe descido pelo nariz e hesitando cair, sustentava-se em uma gota gorda na ponta no momento exato em que com as costas da mão direita tenha impedido o simples gotejar. Não sabia exatamente o que estava acontecendo, mas me lembro de ter chorado também e foi nesse dia que aprendi a esconder minhas lágrimas como quem esconde uma verdade vergonhosa.

Meu pai não estava em casa e isso já não era nenhuma novidade, mas naquele momento eu não queria que ele voltasse. Senti um peso dentro do peito como se estivesse vazio e fosse preenchido por um balão de ar que rapidamente tomava todo o espaço. Senti raiva daquele que causara lágrimas nos olhos de minha mãe e minha vontade de protegê-la era algo que estava além de minhas condições físicas ou mentais. Minha fúria de gatinha retratava-se em lágrimas frias e impotentes. O amor que sentia por ela não era descritível, tampouco compreendido na época. Hoje, mais de vinte anos já se passaram dessa manhã estranha. Tudo é mais claro. As lágrimas tiveram respostas, mas o sentimento de incapacidade de minha parte, de protegê-la, ainda me ronda com um pesar vôo sobre minha cabeça, como se todos os meus temores sobre o amor pudessem ser decifrados se eu permitisse que ele se aproximasse de mim por alguns instantes. Minha mãe chorava e a culpa era do amor. Do amor que sentia pelo marido que a traíra, que a humilhara. Então como permitir que esse inimigo pudesse se achegar? O máximo que poderia lhe permitir era essa aproximação fraterna que no momento já havia se quebrado em duas partes, mas com isso eu ainda podia lidar. E foi o lado fácil da questão, equalizar um sentimento que nem me fazia muito sentido, tão impalpável quanto meu entendimento sobre vida. Minha mãe era minha segurança, a pessoa que estava comigo em todos os momentos, o alicerce que firmava minha existência cambaleante no mundo e mesmo sem me cobrar nada, tudo o que eu podia lhe dar em troca era a cumplicidade em um amor sem medidas, pois como já dizia Shakespeare, ‘é um amor pobre aquele que se pode medir’. Mesmo assim, posso afirmar que não chega perto do amor que ela tem pelos filhos, até aqueles que não saíram de seu ventre, mas contar sua vida daria um livro, portanto abrevio-me em relatar apenas que a minha mãe renunciou a própria vida para servir aos filhos.

Não é difícil perceber a banalização do amor nos dias de hoje. Todo mundo ama todo mundo de maneira simples e a complicação que antes dera tanto assunto aos poetas, hoje é desvendada em Verdana numa página preta, num blog qualquer, com declarações quase suicidas de amor pela manhã e um carta de maldições no final da tarde depois de encontrar um recado meloso do amado em página de Orkut alheia. O sentimento outrora perpetuado por amantes, decifrado por românticos, questionado por céticos, hoje é um elemento descartável nas mãos de qualquer um. Quando Mário Quintana um dia deixou escapar entre amigos o quanto ‘a vida era breve diante de seus olhos, mas o amor lhe era mais breve ainda’, ele não podia imaginar que o quão breve o amor se tornaria e me arrisco a palpitar que se ainda fosse vivo, seria capaz de dizer que de tão breve o amor se tornou indispensável para uma vida mais breve ainda. Claro que são conotações subjetivas e falo do amor tal qual o conheço. Não sou estudiosa do caso e nem pretendo me aprofundar em conhecimentos sobre o amor de forma científica, pretendo apenas compreendê-lo até o ponto de não me ser mais preciso questioná-lo para permitir que seja um complemento bem vindo em minha vida. Esclarecendo que não sou uma pessoa com coração de mármore, posso garantir até que tenho muito amor dentro de mim, apenas não sei se o canalizo de forma correta.

Existe em mim o amor pela minha família que é tão transparente e, da mesma forma tão incerto e predisposto a vendavais como o vento. Sentimentos que ao longo de muitos anos foram sendo jogados dentro de mim sem nenhum tipo de seleção, sem nenhuma precaução, apenas amontoados de forma irregular. Aos poucos eu vou tentando organizá-los, mantendo o que me faz bem, descartando o que me é maléfico. Mas não é difícil me deparar com uma crise de ansiedade e o que levei anos para arrumar, vai em segundos espalhando-se por todos os lados. Rasgando, partindo ao meio, se misturando sem controle. Quando tudo passa, fica no peito a sensação de desconforto, de amor e vazio, feridas que se abriram, contusões que voltaram a mostrar a marca roxa e dolorida de uma batida antiga. Um amor que mesmo sendo forte o bastante para sobreviver, é como um velho resmungão que nunca esquece os momentos ruins que viveu e constantemente volta ao assunto com quem lhe dá conversa. O amor pela família é mais complexo, porém o mais genuíno de todos os sentimentos. Ele chega sem pedir permissão, é parte de nós desde que chegamos ao mundo e por isso é tão rebelde, pois não vê o livre arbítrio como uma alternativa. Já conheci pessoas que diziam não amar suas famílias, mas falando por mim, essa é a visão que tenho do amor fraternal que é o único que nunca morre.

O amor próprio a meu ver é o mais difícil de descrever. Falta-me modéstia para expor um sentimento tão pessoal e relativo. Como me vejo? Como me projeto na vida? Qual é a real opinião que sobre mim? Todos nós temos receio em falar de nós mesmos, pois a sociedade criou um conceito de que nossa idéia sobre nós pode ser supervalorizada e o que vale é sempre a opinião alheia. Pelo menos é esse o conceito que tenho e acredito que seja uma opinião compartilhada por muitos. Às vezes nos preocupamos tanto com o que outras pessoas pensam a nosso respeito que nos esquecemos que nem toda opinião importa. Para quê saber o que ‘fulano’ achou de seu cabelo, se está ou não bonito hoje? Porque se preocupar com o comentário de ‘beltrano’ sobre o trabalho que apresentou? O que isso iria mudar? Absolutamente nada! Poderia apenas nos causar um desconforto inútil, uma vez que é impossível agradar a todos. E quem é realmente capaz de julgar a si mesmo de forma mais justa possível? O amor próprio é um pouco como isso. Eu vejo que não me sobra amor por mim, não carrego um sobrepeso nas costas com excesso de bagagem de amor próprio, mas também não ando vazia e desestruturada desse sentimento. Acredito que esse amor é uma forma de auto-reconhecimento, de valorização. Não sou melhor que ninguém, mas também não sou pior. Sou igual, mesmo que muitas vezes não haja o equilíbrio necessário em todas as bases, somos humanos e, como tal, temos aquele calo defeituoso em nosso gene pesando sempre para o conveniente. A conclusão que posso alcançar sobre o amor próprio não pode ser convincente nem para mim, o vejo como uma faca de dois gumes que pode lhe trazer benefícios, mas também pode lhe destruir. É preciso buscar o equilíbrio constante. Amor demais sufoca, amor de menos desalenta a alma.

E o amor romântico que une tantos apaixonados pelo mundo? Como descrevê-lo? Às vezes um amor irracional, amor descontrolado e devastador como um tornado que passa às pressas em nossas vidas. Às vezes um amor benéfico e tranqüilo que perdura anos e anos sob a mesma intensidade que começou. O amor narrado nos livros e no cinema, nas histórias de amor que se tornaram trágicas ou invejadas, pode ser considerado o pote de ouro no fim de todo arco-íris, conta-se sobre, mas nunca ninguém foi capaz de encontrar. Tantas histórias foram criadas para o amor, por ele, tantas tragédias já foram cometidas e tantas paixões condenadas contradizendo a essência principal de todo romance que é o amor em si, não como um elo entre dois amantes, mas como destino, como fundição incorpórea. As mais belas histórias de amor que serão contadas de geração a geração são tragédias cultuadas como o clássico dos clássicos Romeu e Julieta de William Shakespeare ou para mim, um clássico mais recente como a história criada em Reparação do inglês Ian McEwan, um amor interrompido no início, mas que teve forças para sobreviver e tornar numa história inesquecível. Histórias que se acontecem na vida real, não chegam a ser relevantes para outros que não próprios os protagonistas. A não ser que sejam retratados em livros ou filmes.

No caso de comédias românticas, o cinema está cheio delas. Milhares e milhares de pessoas se inspiram no acaso para encontrar o amor de suas vidas. Todos querem uma história romântica como aconteceu nas telonas com Bridget Jones, uma heroína desajeitada e fora dos padrões midiáticos que conheceu sua outra metade na pele de um homem bonito, charmoso, inteligente, rico, cavalheiro… Enfim, perfeito. E com ele foi feliz para sempre (até onde sabemos!). Os próprios autores revelam que são histórias criadas por uma mente fértil e muito pensante e que esperar um romance de filme é esperar a morte sentada na poltrona da sala, assistindo programas de auditório na tevê em companhia de um bichano gordo e amarelo. Ao mesmo tempo em que recriam o amor numa paisagem florida com fundo musical suave, apunhalam o romance no mesmo instante em que desmentem a possibilidade.

Quem é que garante que um amor não pode nascer de uma rápida troca de olhares na fila do cinema? Não que eu seja romântica o bastante para acreditar em amor à primeira vista, mas dizer que um romance cinematográfico é impossível de acontecer com pessoas comuns, é o mesmo que afirmar que o amor é um estado de espírito previsível e calculado. O amor não é agendado, não chega com roteiro pronto e muito menos acontece quando a gente quer. Não sou cética a ponto de duvidar de todo sentimento que une dois amantes no amor, mas também não sou tola em acreditar na versão cor-de-rosa de muitos romances. Todo amor é possível e citando Fernando Pessoa ‘tudo vale a pena se a alma não é pequena’.

Mas o amor está além de ser apenas uma paixão que une duas pessoas, um sentimento de laço indestrutível que une uma família ou aquele entendimento que se tem de si próprio a ponto de acreditar o resto é gentalha. O sentimento que causa tanto questionamento e que ao mesmo tempo é tão bem entendido por todos que o conhecem é um sócio vitalício de nosso coração. Uma extensão quase palpável do órgão responsável por nossos sentimentos e emoções. E quem irá negar que quando sofremos de amor, a dor pode ser tão oca e fria que chega a espremer nosso peito? Dessa dor figuramos os cacos de nosso sofrimento e damos a ele uma existência física. E o amor é tudo isso. Uma dor, um frio no estômago, um suor repentino na palma da mão, uma lágrima muda e carregada que se perde no nada. Não há explicação para traduzi-lo, ainda não criaram uma palavra capaz de interpretá-lo. Mas todos que o sentem, todos os que o conhecem sabem que nada disso é preciso. Senti-lo é mais que respondê-lo, é vivê-lo!

by mauren ribeiro

13
Dez
09

Lei de Murphy!

http://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_de_Murphy

Lei #4: “Tudo leva mais tempo do que todo o tempo que você tem disponível”.

Sempre disse que tenho um problema com filas de banco. Detesto filas, detesto bancos e sempre que posso os evito. Hoje, não pude escapar. Estava com muita pressa e precisava descontar um cheque. Passei no banco torcendo para que a fila estivesse pelo menos com poucas pessoas… E olha a minha sorte! Apenas 5 na minha frente. Pelos cálculos: 3 caixas atendendo, 5 pessoas antes… 5 minutos tô fora!!!

Aí é que entra a Lei de Murphy…

3 caixas.

Caixa 1 monopolizado pelo guardinha bonitinho.

Caixa 2 entupido de papéis de uma moça com cara de poucos amigos.

Caixa 3 fluindo normalmente. A fila andando. Oba! A próxima sou eu…

Chega então, no lado oposto da fila, uma senhora com cara de 90 anos. Tudo bem, uma só…

Segundos antes de ser atendida, eis que surge uma jovem mãe com uma criança “abacate” (todinho de verde pobrezinho!). Ela me sorri… Eu educadamente sorrio de volta com cara de “fazer o que né”?

Chega mais um idoso, e outro e outro… 6 no total! To falando gente, não é mentira.

E os dois caixas ainda parados… 10 minutos… 15 minutos… 25 minutos… Finalmente a moça de cara feia sai… Ufa!

Então um guardinha que esperava ao lado me pediu só 1 “segundo” para pegar um papel com o caixa. Como eu sou boazinha!!! Passa 1 segundo, 2, 3, 4, 5… chega o amiguinho dele. “É pra você passar mais essas contas aqui”, diz e deixa um malote com o guardinha que na maior cara de pau fica no caixa!

Eu já estava com vontade de gritar. A fila aumentando. Estava com medo de ser atacada, pois todos podiam ver que o problema era comigo! Eu parei a fila! Eu não estava sendo atendida!

E a fila dos “velhinhos” acabou… Então depois de 38 minutos cravados no meu relógio dou dois passos para ser atendida. A caixa se levanta. “Vou ter que sair. Você aguarda por favor”.

Sinto que já estou ficando com cara de “nenhum” amigo. Volto para o começo da fila… Depois de algumas batucadas bem fortes com o pé, o guardinha olha para trás na maior cara de pau. “Só mais um segundo, já estou saindo.” Cínico. Idiota. Aproveitador. Magricela. Meu sorriso é muito falso…

Quando ele desocupa o caixa, 45 minutos depois, sou atendida. E o caixa me diz que não pode me dar em trocados o dinheiro que tenho que dividir entre os alunos da Van, que nos leva para a faculdade.

Vai dizer que não acredita na Lei de Murphy???

29
Nov
09

Silêncio

 

O silêncio que se faz presente em mim
Torna ausente toda a vontade de sentir dor
Porque em mim, silêncio mudo, cor de calmaria
Um não estar em paz, em si, dono do sono
Do sono doente que perdia
Então que venha a cavalaria!

E cruzem estes campos de sal
Sobre o sal, sob o sol
Pela febre que corta meus pulsos
Rio inquieto, gigante ante meu apelo
Como estrada sem fim onde eu corra

E então lembrar, sozinho
Que não sei voltar
E lá morra

(Guga Sarges)

 

29
Nov
09

Date Night

Uma das comédias mais aguardadas para os próximos meses!

Steve Carell e Tina Fey juntos, além da presença do colírio Mark Wahlberg…

Imperdível!

24
Nov
09

Liçoes

“A cada dia que vivo,

mais me convenço de que

o desperdício da vida

está no amor que não damos,

nas forças que não usamos,

na prudência egoísta que nada arrisca,

e que, esquivando-se do sofrimento,

perdemos também a felicidade…”

Carlos Drummond de Andrade

17
Out
09

A pessoa errada…

Beijo

A pessoa errada pensando bem,
tudo o que a gente vê, vivencia, ouve e pensa,
não existe uma pessoa certa pra gente.
Existe uma pessoa que se você for parar pra pensar
é, na verdade, a pessoa errada.
Porque a pessoa certa
faz tudo certinho,
chega na hora certa,
fala as coisas certas,
faz as coisas certas,
mas nem sempre a gente tá precisando das coisas certas.
Aí é a hora de procurar a pessoa errada.
A pessoa errada te faz perder a cabeça...
Fazer loucuras;
Perder a hora;
Morrer de amor;
A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar
que é pra na hora que vocês se encontrarem
a entrega ser muito mais verdadeira.
A pessoa errada, é na verdade, aquilo que a gente chama
de pessoa certa.
Essa pessoa vai te fazer chorar,
mas uma hora depois vai estar enxugando suas lágrimas.
Essa pessoa vai tirar seu sono,
mas vai te dar em troca uma noite de amor inesquecível.
Essa pessoa talvez te magoe,
e depois te enche de mimos pedindo seu perdão.
Essa pessoa pode não estar 100% do tempo ao seu lado,
mas vai estar 100% da vida dela esperando você.
Vai estar o tempo todo pensando em você.
A pessoa errada tem que aparecer pra todo mundo...
Porque a vida não é certa.
Nada aqui é certo.
O que é certo mesmo, é que temos que viver cada momento,
cada segundo,
amando, sorrindo, chorando, emocionando, pensando,
agindo, querendo,conseguindo.
E só assim é possível chegar àquele momento do dia
em que a gente diz: ‘Graças à Deus deu tudo certo’!
Quando na verdade
tudo o que Ele quer é que a gente encontre a pessoa errada,
para que as coisas comecem a realmente funcionar
direito pra gente...
25
Ago
09

Sem pudor e sem papas na língua

Existem diversos ditados populares que nos alertam para o risco que corremos ao julgar uma pessoa pela aparência. Minha mãe mesmo tem o hábito de concluir conversas com jargões conhecidos para enfatizar o assunto e sempre finaliza com um sonoro ‘quem vê cara não vê coração’, ou qualquer outro ditado como frase de efeito para corroborar o sermão. E eu como humana e cheia de defeitos, assim como você, já cometi o erro de muitas vezes olhar, rotular e depois quebrar a cara. As pessoas são diferentes e o que muitas vezes enxergamos com os olhos, não corresponde a nada do que aquela pessoa realmente é e as aparências continuam a nos enganar. Essa semana, quando conheci a Laila, ela chegou no jornal agitada e um pouco tímida em seu vestidinho lilás, mas aos poucos conseguiu reverter a timidez e se transformou na personagem que é conhecida pela falta de pudor e sem nenhuma vergonha. Uma pessoa que se revelou em poucos minutos e conseguiu mostrar que muito mais que um rótulo, o que importa são os valores que carrega e os sonhos que ainda busca alcançar. Uma mulher no corpo de um homem, uma mulher interior que se conhece, que se ama, que sabe o que quer e não se deixa vencer pelos obstáculos que encontra. “Eu sempre batalhei na minha vida. Eu adoro homem e acho que foi a melhor coisa que Deus criou, mas nunca sai com nenhum em troca de dinheiro, em troca de algum benefício, não misturo as coisas assim, abafa”, conta aos risos e sempre gesticulando sem parar.

Quando nasceu no dia 13 de setembro de 1980 em Diamantina, Minas Gerais, Laila foi registrada como Ricardo Alexandre e mantêm até hoje os documentos originais. Criada numa família humilde com mais treze irmãos, já aos dez anos de idade começou a se interessar por meninos e na escola trocava o lanche por um beijo de algum colega. Aos treze já morava sozinha e se sustentava com a ajuda de uma senhora que pagava seu aluguel em troca de faxina. Quando decidiu dar um outro rumo a sua vida, pegou carona com um caminhoneiro e chegou ao Rio de Janeiro onde trabalhou como cozinheira por três meses antes de vir para Pedreira com o irmão da patroa que trabalhava numa fazenda na região. Em pouco tempo seu talento para fazer amigos e sua personalidade extrovertida a transformou numa personagem curiosa e engraçada, hoje Laila conhecida como uma celebridade local dispara sem vergonha e sem papas na língua aquilo que lhe dá na cabeça. “Não tenho vergonha de nada, eu sou feliz, eu me amo! Vergonha é roubar e não poder carregar”, afirma. E sem pudor nenhum, revela que ‘bicha’ também tem sentimento.

 Laila

PRECONCEITO

Muita gente quando a encontra na rua pode até torcer o nariz, mas ela garante que nunca sofreu nenhum tipo de preconceito grave, só se lembra de uma vez, logo que chegou a Pedreira, quando três garotos bêbados abusaram dela enquanto estava bêbada. “Foi uma coisa impensada da parte deles e eu fiz até um BO (boletim de ocorrência), mas depois retirei, porque eram meninos de família e eu não queria prejudicar ninguém. Meu lema é a paz, eu sou feliz e quero transmitir felicidade para as pessoas e não guardo mágoa de ninguém”, garante Laila que por onde passa é sensação entre as pessoas.

No carnaval foi destaque na avenida e como sempre, chamou a atenção em todos as noites de animação. Nas festas organizadas na cidade, ela tem entrada VIP e não perde uma balada. “Eu entro de graça nas festas que tem por aqui e aproveito mesmo. Abafa que eu sou celebridade e a alegria do povo”, diz antes de soltar mais uma vez a palavra “abafa”, palavra que fala em quase todas as frases que pronuncia, sempre acompanhada de uma gargalhada peculiar que já se transformou em sua marca registrada. Ela é sempre espontânea e engraçada e não segura a língua na hora de falar sobre sua maior paixão: os homens! “Eu gosto de homem e sempre assumi isso desde criança. Minha família sabe, me apóia e me adora. Trabalho para pagar minhas contas, homem não falta, tenho amigos que patrocinam minhas roupas, então porque é que eu vou ficar me preocupando com o que dizem de mim? Eu sou feliz e repito que me amo muito”, afirma.

Quando questionada sobre amor, Laila confessa que uma vez já tentou se matar por causa de uma paixão da escola lá em Diamantina. Amarrou um pedaço de corda no chuveiro e tentou se enforcar. “Claro que não queria me matar de verdade, foi só para fazer ‘mídia’, chamar a atenção. Tomei um belo choque e tive que pagar o conserto da eletricidade da casa, pois deu curto circuito quando pulei com a corda no pescoço”, contou às gargalhadas. Hoje ela garante que jamais cometeria uma loucura dessas por qualquer homem. “Hoje eu aprendi muito e amadureci, nunca tiraria minha vida por causa de ‘bofe’ nenhum. Em primeiro lugar eu, sempre”.

 

TALENTO

Desde os dez anos trabalha fazendo faxina em casa de amigos, mas não é apenas limpeza de casa que ela faz muito bem. Corre a fama na cidade de suas mãos talentosas para a culinária e ela confirma que adora passar horas na cozinha. “Faço de tudo, bolo, pão de queijo, feijoada, salgadinhos. Tudo o que me pedirem eu faço. Já vendi muitas guloseimas que fazia em casa e saia vender nas ruas para poder pagar meu aluguel. Hoje meu forno não ajuda muito, mas quando me chamam para fazer eu adoro”. Laila tem o sonho de montar um dia o próprio negócio de caldos e buffet, além de sonhar também em voltar a dar aulas de dança para terceira idade, atividade que exerceu durante alguns anos em Pedreira. “Semana que vem tenho uma reunião com o prefeito de Jaguariúna e quero muito que tudo dê certo e eu volte a dar aulas de dança para terceira idade”, disse.

Mas Laila também tem um sonho um pouco mais complicado que uma carreira profissional. Ela quer fazer uma operação de transformação de sexo e contou que tem um empresário que quer patrocinar cirurgia em Jundiaí. “Não uso o ‘bilau’ mesmo, não presta para nada, então eu não vejo a hora de corta fora esse ‘nazarento’”, conta ela um pouco tímida, colocando as mãos sobre o rosto e soltando uma gargalhada.

25
Ago
09

Estranged

“When I find all of the reasons
Maybe I’ll find another way
Find another day
With all the changing seasons of my life
Maybe I’ll get it right next time
And now that you’ve been broken down
Got your head out of the clouds
You’re back down on the ground
You don’t talk so loud, and you don’t walk so proud”

Guns N’ Roses

04
Ago
09

E a educação ó \/

Mais uma temporada de pérolas impagáveis dos estudantes brasileiros no Exame Nacional do Ensino Médio.

Seria cômico não fosse tão trágico!!!

O tema da redação do Enem desse ano foi Aquecimento Global, e como acontece todo ano, não faltaram preciosidades.

1) “O problema da Amazônia tem uma percussão mundial. Várias Ongs já se estalaram na floresta.” (Percussão e estalos. Vai ficar animado o negócio)

2) “A Amazônia é explorada de forma piedosa.” (Boa)

3) “Vamos nos unir juntos de mãos dadas para salvar o planeta.” (Tamo junto nessa, companheiro. Mais juntos, impossível)

4) “A floresta ali paradinha no lugar dela e vem o homem e créu.” (E na velocidade 5!)

5) “Tem que destruir os destruidores por que o destruimento salva a floresta.” (Para deixar bem claro o tamanho da destruição)

6) “O grande excesso de desmatamento exagerado é a causa da devastação.” (Pleonasmo é a lei)

7) “Espero que o desmatamento seja instinto.” (Selvagem)

8 ) “A floresta está cheia de animais já extintos. Tem que parar de desmatar para que os animais que estão extintos possam se reproduzirem e aumentarem seu número respirando um ar mais limpo.” (O verdadeiro milagre da vida)

9) “A emoção de poluentes atmosféricos aquece a floresta.” (Também fiquei emocionado com essa)

10) “Tem empresas que contribui para a realização de árvores renováveis.” (Todo mundo na vida tem que ter um filho, escrever um livro, e realizar uma árvore renovável)

11) “Animais ficam sem comida e sem dormida por causa das queimadas.” (Esqueceu que também ficam sem o home theater e os dvd’s da coleção do Chaves)

12) “Precisamos de oxigênio para nossa vida eterna.” (Amém)

13) “Os desmatadores cortam árvores naturais da natureza.” (E as renováveis?)

14) “A principal vítima do desmatamento é a vida ecológica.” (Deve ser culpa da morte ecológica)

15) “A amazônia tem valor ambiental ilastimável.” (Ignorem, por favor)

16) “Explorar sem atingir árvores sedentárias.” (Peguem só as que estiverem fazendo caminhadas e flexões)

17) “Os estrangeiros já demonstraram diversas fezes enteresse pela amazônia.” (O quê?)

18) “Paremos e reflitemos.” (Beleza)

19) “A floresta amazônica não pode ser destruída por pessoas não autorizadas.” (Onde está o Guarda Belo nessas horas?)

20) “Retirada claudestina de árvores.” (Caraulio)

21) “Temos que criar leis legais contra isso.” (Bacana)

22) “A camada de ozonel.” (Chris O’Zonnell?)

23) “a Amazônia está sendo devastada por pessoas que não tem senso de humor.” (A solução é colocar lá o pessoal da Zorra Total pra cortar árvores)

24) “A cada hora, muitas árvores são derrubadas por mãos poluídas, sem coração.” (Para fabricar o papel que ele fica escrevendo asneiras)

25) “A amazônia está sofrendo um grande, enorme e profundíssimo desmatamento devastador, intenso e imperdoável.” (Campeão da categoria “maior enchedor de lingüiça”)

26) “Vamos gritar não à devastação e sim à reflorestação.” (NÃO!)

27) “Uma vez que se paga uma punição xis, se ganha depois vários xises.” (Gênio da matemática)

28) “A natureza está cobrando uma atitude mais energética dos governantes.” (Red bull neles – dizem as árvores)

29) “O povo amazônico está sendo usado como bote expiatório.” (Ótima)

30) “O aumento da temperatura na terra está cada vez mais aumentando.” (Subindo!)

31) “Na floresta amazônica tem muitos animais: passarinhos, leões, ursos, etc.” (Deve ser a globalização)

32) “Convivemos com a merchendagem e a politicagem.” (Gzus)

33) “Na cama dos deputados foram votadas muitas leis.” (Imaginem as que foram votadas no banheiro deles)

34) “Os dismatamentos é a fonte de inlegalidade e distruição da froresta amazonia.” (Oh god)

35) “O que vamos deixar para nossos antecedentes?” (Dicionários e camisinhas para evitar que jumentos iguais à você habitem o nosso planeta)

Burro- Escola

19
Jun
09

Ser normal é ser diferente

Uma história incomum, um final feliz. Casal deficiente rompe barreira da inclusão social e dá primeiros passos para acabar de vez com o preconceito

 Maria Gabriela Andrade Demate tem 28 anos. Já teve vários namorados, mas o eleito para compartilhar a vida foi Fábio. Com ele, teve uma filha em março do ano passado e quando Valentina completou um ano, há três meses, os pais subiram ao altar para oficializar a união de três anos. Era um sonho para Gabriela que não via a hora de usar o vestido branco e jogar o buquê para as amigas solteironas.

Se adaptando à vida de casada, Gabriela divide o tempo entre cuidar do marido, estudar e ajudar a mãe Laurinda, a cuidar de Valentina. De manhã cuida da casa, faz almoço, sempre com a supervisão do marido exigente para comida, meio dia leva a filha na escola e passa resto do dia passeando ou em casa. No final da tarde pega Valentina e deixá-a com a avó para ir à escola onde cursa o ensino fundamental.

Gabriela tem síndrome de Down e uma rotina normal, como qualquer outra pessoa.

Os mais longos dias da minha vida

Quando soube que sua filha, com 27 anos na época estava grávida, Laurinda Andrade não conseguiu dormir por algumas noites. Nunca tinha ouvido falar de uma mulher Síndrome de Down que tivesse engravidado e o fato de não ter feito um acompanhamento pré-natal, triplicaram as preocupações. “Foram os mais longos dias da minha vida”, diz Laurinda. Após alguns meses de exames e visitas a diversos médicos especialistas, Gabriela deu a luz a Valentina no dia 19 de março de 2008, por volta das 19h. O parto foi cesárea e a bebê não herdou a síndrome da mãe, nem as características mentais do pai, uma vez que a deficiência dele não teria origem genética. “A probabilidade de uma mulher Down gerar um filho com a síndrome é de 50%, mas nesse caso fomos muito abençoados e Valentina nasceu sem nenhuma deficiência física ou mental”, conta a avó Laurinda.

A história correu o Brasil e ganhou status nacional. Gabriela é um caso raro, faz parte de um pequeno grupo de aproximadamente 50 mulheres com síndrome de Down que tiveram filhos, a maioria vítima de abuso sexual. “A Gabriela começou a namorar o Fábio e não teve quem os segurasse. Foi um relacionamento que aconteceu muito rápido e quando percebemos, ela já estava praticamente morando com ele na casa da mãe”, explica Laurinda. Fábio Marchete de Moraes tem a mesma idade que Gabriela e é deficiente intelectual desde os primeiros meses de vida. O casal se conheceu na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Socorro, cidade do interior de São Paulo, a 102 quilômetros de Campinas. “Logo que começamos a namorar eu tive que brigar com um ex-namorado dela que não saia de cima. Aí ela escolheu ficar comigo”, conta Fábio todo orgulhoso ao declarar que teve que lutar com unhas e dentes pelo amor da atual esposa.

Um final de contos de fada

Gabriela tinha o sonho de oficializar a união em um casamento tradicional, com direito a vestido de noiva, buquê, marcha nupcial e festa. E foi exatamente no dia que a filha completou um ano que o sonho foi concretizado na Igreja Matriz de Socorro. Gabriela, como qualquer noiva, passou o dia nervosa. Fábio um pouco mais tranquilo, subiu ao altar e esperou paciente o atraso de dez minutos da noiva. Depois da cerimônia religiosa que teve mais de cem convidados, os jovens recém-casados receberam os amigos numa festa de arromba que celebrava o casamento e o primeiro aniversário da filha.

“Foi um dia inesquecível, saiu tudo perfeito, do jeito que eu queria”, relembra Gabriela. “Passei o dia no salão de beleza para me arrumar e a noite estava no meu casamento com todos os meus amigos por perto. A Valentina levou as alianças no colo da minha mãe e foi muito bonito”. A oficialização do casamento era um sonho de Gabriela que costumava passar as tardes de sábado na Praça Matriz observando as noivas que saiam da igreja. Na tarde do dia 19 de março de 2009, o casal deu um passo essencial para concluir uma história de amor. “Foi um novo começo para os dois que têm agora a missão de concluir um final feliz para uma história que tinha tudo para não dar certo, mas provou que o amor não vê barreiras para acontecer, ele simplesmente acontece”, disse a mãe da noiva.

Casamento

19
Jun
09

Um salto na escuridão

Perfil jornalístico sobre uma esquizofrênica

Há quatro anos, Edna se levantava pela manhã, bem cedinho, e preparava o café para toda família antes de sair para o trabalho. Ajudava o filho adolescente a se preparar, pois sempre se levantava atrasado para a aula, dava os remédios à mãe de 73 anos, esperava o marido esquentar o carro a álcool na garagem e depois saiam todos juntos. A mãe ficava na casa de outra filha, o filho na E.E. Prof. Celso Henrique Tozzi e ela e o marido iam para o trabalho. Exerciam na Flextronics a mesma função: técnicos de qualidade, com a tarefa de testar laptops e atestar o bom funcionamento dos aparelhos.

Num dia normal, como outro qualquer, Edna chegou do trabalho por volta das 19h. Preparou o jantar e lavou a louça com ajuda do marido. Depois de mais um episódio da trama amorosa entre Sol e Tião da novela América, se rendeu ao cansaço e foi dormir.

Quando fala desse dia, Edna pode contar detalhes pormenores sobre o que fez, mas não consegue encontrar uma fagulha de lembrança que lhe dê indícios sobre o que estava para sofrer. Foi apenas mais um dia comum, uma rotina seguida sem alterações, sem contratempos. E foi pela manhã que começou o pesadelo. Ao abrir os olhos não reconheceu o quarto e nem sabia quem era. Fechou os olhos apertados com as mãos no rosto e permaneceu imóvel por quase cinco minutos. Na mente, uma sensação de desordem, como se nada estivesse em seu lugar. Quando abriu os olhos pela segunda vez sabia que estava em casa, mas sentiu que alguma coisa não estava se encaixando. Tinha alguma coisa errada. Antes de ir para a cozinha preparar o café, foi para o escritório, ligou o computador e entrou em pânico. Não sabia nem ao menos iniciar o Windows, uma tarefa costumeira para quem trabalhava todos os dias com computadores. Voltou para o quarto onde o marido ainda dormia e o chacoalhou na cama.

- Não vou trabalhar hoje.

- Por quê?

- Não estou me sentindo bem.

- Está com alguma dor?

- Não.

- Então o que é?

- Não sei. Tem alguma coisa errada comigo.

Levantou-se, ainda vestida com a camisola de dormir, e foi para a cozinha preparar o café, mas ao invés disso, sentou à mesa e chorou.

 EQUOTERAPIA

Montada na égua branca de crina longa, Edna se sente como uma criança nos braços da mãe, segura. É como se o animal pudesse protegê-la de todas as vozes que a perturbam, de todos os fantasmas que a assombram. Uma vez por semana, durante alguns breves minutos, não existe mais nada no mundo a não ser uma égua branca e sua montaria. E nesses momentos de tranqüilidade, tão preciosos, são invejados por todos os outros momentos de turbulência que presencia. E para fugir de tanta confusão, Edna escreve.

E com palavras que não saem de sua boca e sim da ponta de seus dedos, consegue traduzir conflitos internos que não têm explicação, nem para ela. Mas as palavras elucidam o que não a mente não consegue compreender e no papel branco, as letras escuras ordenadas e alinhadas parecem ter sentido.

Numa tarde quente e nublada, clima pré-chuva de verão, o haras está atipicamente silencioso. Nininha está com outro paciente. Edna tem que esperar sua vez. Impaciente pede um papel e uma caneta à orientadora e senta-se sob um velho ipê que sombreia o pátio de espera. Ali, recostada num ramo de raiz, ela começa a escrever, quase sem parar, quase sem pensar. Deixa as mãos guiaram o rumo da caneta sobre a folha amassada de um caderno sujo, com impressão de que foi jogado no lixo e reutilizado.

Edna não pensa em conexão, nem em concordâncias gramaticais, verbais ou o que quer que se já. Ela quer explodir o que se acumula em seu peito, o que toma espaço em sua mente e para isso, deixa a razão de lado. Naquele momento, Edna é um sentimento que anseia pela liberdade, assim como uma terra árida, castigada pela seca, anseia a temporada de chuvas. E é assim, do nada, sem pedir licença para chegar, que a inspiração de Edna aflora de suas mãos.

 

À Nininha

Branca, forte e imponente.

A égua que monto, gosto do seu jeitinho.

Abraçada ao seu pescoço

Engole meus medos

Trouxe-me a esperança de dias melhores

Dias, horas, minutos, sem os terríveis delírios.

Traz-me a doce ilusão de ser normal e não especial

Seu caminhar leve e tranquilo me embala e me suporta

Mostrou que meu amor se expande

Traz-me histórias para contar e compartilhar

De como podemos ser felizes, com limitações

Sinto sua falta nos outros dias da semana

Gostaria de vê-la sempre, para que meus dias fossem mais leves.

Será que você é mesmo irracional?

Então porque esse amor incondicional?

Você me traz felicidade com sua delicadeza

Gostaria que coubesse na minha casa pequenina

Para que eu pudesse acariciar todos os momentos da minha vida.

Você me traz o sentido da esperança

Com sua crina leve que balança.

Eu que pensava que só amava os cachorros e gatos, me descubro,

Apaixonada pelos cavalos, por sua existência minha doce Nina.

 DIAGNÓSTICO

Edna foi para o pronto-socorro em estado de surto. A única coisa que se lembra é de ter sentado à mesa para descansar, mas quando o marido entrou na cozinha, encontrou a mulher acuada num dos cantos do cômodo se defendendo com as mãos e pedindo para se afastar. O pedido não era para ele, era para alguma coisa que somente Edna podia ver, e pela direção do olhar da mulher, era alguma coisa baixa.

- Edna?

- Sai daqui.

- Não tem nada aqui, Edna.

- Ele quer me morder, chama alguém para ajudar.

- Não tem nada aqui. Só nós dois.

Edna de repente olhou para cima. Os olhos assustados e nervosos pareciam aliviados por terem notado a presença do marido na cozinha. Contornou a mesa que a separava do marido e andou devagar, sempre observando com o canto dos olhos, o animal que a estava ameaçando.

- Como esse cachorro entrou aqui?

- Não tem cachorro nenhum aqui Edna.

- Ele não pára de rosnar, deve ser bravo.

Assim que a alcançou, o marido a abraçou e disse que ela estava protegida. Levou-a para o quarto ajudou-a a trocar de roupa. Acordou a sogra que ainda dormia e avisou que Edna não estava bem e que ia levá-la para o hospital e sem alongar a conversa saiu com mulher, que parecia pisar em ovos ao caminhar com muito cuidado, desviando de coisas invisíveis.

No pronto-socorro, o médico que a examinou disse que ela estava com depressão e receitou Rivotril, um tranqüilizante de alta potência. Depois de medicada, o marido a levou para casa e a deixou sob os cuidados da sogra para ir trabalhar. Mesmo preocupado, não podia perder um dia de serviço e precisava avisar na empresa que Edna não estava bem.

A mãe estranhou quando Edna dormiu o resto do dia e continuou dormindo por toda a noite. De manhã quando se levantou, a filha ainda dormia. Perguntou para o genro o que estava acontecendo e ao ouvir a explicação teve medo.

- A Edna já teve depressão. Isso não é depressão.

- O médico disse que é. Vamos esperar que ela acorde para ver como vai reagir.

E foi no final da tarde que Edna despertou e ao abrir os olhos, avistou um homem estranho no quarto. Agachado ao lado da cama, o homem lhe dirigiu um olhar de repreensão. Com uma voz firme e rouca gritou com ela.

- Você é burra, mulher.

Sem entender aquilo, perguntou quem ele era, mas ele parecia saber apenas uma frase.

- Você é burra, mulher.

E repetia sem parar. Gritando, cochichando, sussurrando. De repente parou. Se levantou e saiu do quarto. Edna chamou o marido, mas quem entrou no quarto foi a mãe, o marido estava trabalhando.

- Quem era esse homem que estava aqui?

- Que homem filha, não tinha ninguém aqui.

- Ele estava aqui no quarto me xingando.

- Não, não. Estamos só nós duas em casa.

Edna começou a gritar e a chorar e disse que estava louca, que tinha visto um homem, que ele tinha gritado com ela. A mãe sem saber o que fazer, ligou para o genro na empresa e contou o que estava acontecendo. Em menos de 20 minutos, Edna era novamente levada para o pronto-socorro e diagnosticada com surto psicótico.

 INTERNAÇÃO

Naquela tarde os médicos acharam melhor que Edna não voltasse para casa e sugeriram que passasse a noite no hospital. À base de outra dose de tranquilizante, passou mais de 24 anos dormindo e quando acordou estava bem. Não tinha mais nenhum fantasma a aterrorizando quando abriu os olhos e por alguns segundos ficou aliviada. Tomou café da manhã e se levantou para andar um pouco pelo quarto. E foi quando encostou os pés no chão que conseguiu ver. O quarto todo estava tomado por cachorros. Edna teve que ir pulando e se desviando dos animais para chegar à porta e quando alcançou o corredor, mais cachorros. Começou a chorar e se encolheu no chão. Sentiu-se perdida. Estava louca.

Naquela tarde foi encaminhada para um hospital psiquiátrico em Itapira. Como não tinha plano de saúde, foi internada pelo SUS e teve que dividir o quarto com outra mulher. Assim que chegou ao hospital teve um surto e foi levada para a sala de choque. Não se lembra quanto tempo dormiu depois, mas acordou com o corpo dolorido. Parecia que tinha levado uma surra. Sentou-se na cama e sua companheira de quarto a encarava. O homem estranho estava agachado ao seu lado e sorria maleficamente, sussurrando a mesma frase.

- Você é burra mulher.

Ela o ignorou e se levantou. Sem olhar para sua companheira que ainda a encarava, saiu do quarto. Assim que pôs os pés para fora, o silêncio foi rompido por um tornado irreconhecível de vozes desconexas se confundiam entre gritos e murmúrios. Não conseguiu mais distinguir o que era real e o que não era. À sua frente, dezenas de borboletas coloridas giravam sem controle ao redor de algum foco invisível. Atrapalhavam seu caminhar. Com as mãos, afastava os insetos teimavam em bater em eu rosto.

Foi para fora do prédio. Um enorme jardim se estendia ao longo do terreno. Alguns bancos de madeira pintados com tinta branca estavam vazios. À sua direita uma piscina olímpica de águas azuis refletia o sol em seu rosto. Edna caminhou até ela. Não teve vergonha de caminhar entre outros pacientes, vestida apenas com o avental verde da instituição. As vozes pediam para que ela continuasse. O homem estranho que agora caminhava ao seu lado repetia a mesma frase incessantemente.

- Você é louca, mulher.

- Você é louca, mulher.

- Você é louca, mulher.

- Você é louca, mulher.

Naquele momento, confusa com o que acontecia à sua volta, Edna não sabia distinguir o que era e o que não era real. Contornou a piscina e chegou a lateral que tinha escada. Passo a passo foi descendo e deixando a água abraçar seu corpo. Quando não conseguiu alcançar o ar para alimentar seu pulmão, sentiu o silêncio dominar sua mente. Em frações de segundos, as borboletas se dissolveram, o homem estranho desapareceu, as vozes calaram-se. Edna sentiu livre. Estava pronta para abandonar aquela vida que aprisionara-a numa realidade que não conhecia. Uma realidade ilusória. Edna havia se cansado daquela vida. Estava pronta para desistir.

Segundos depois estava sendo carregada por mãos apressadas que não conhecia. Reconheceu a sala branca de luz forte que havia estado antes, sabia que ia passar por mais uma sessão de choque. Não viu mais nada.

 ACEITAÇÃO

Edna Doiche é esquizofrênica. Hoje não tem dificuldade para falar sobre isso, mas ainda sente vergonha em declarar que ouve vozes, que vê coisas que não existem. Fala de si mesma como louca. Sabe que nunca voltará a ser normal de novo.

- Já fui atrás do deus do Espiritismo, das Testemunhas de Jeová, da Universal do Reino de Deus, da Igreja Católica. Esgotei minha fé em deuses que não me curaram. Hoje minha fé limita-se a aceitar que os medicamentos que tomo podem me ajudar a ser uma pessoa normal, mas sei que a esquizofrenia é uma doença que levarei para o túmulo. Têm dias que estou bem, têm dias que tenho crises. É como aprender a conviver com qualquer outra doença, a diferença está em seus efeitos colaterais. Com a ajuda da minha família e o apoio do meu marido e do meu filho que estiveram sempre ao meu lado, eu tenho certeza que vou conseguir seguir a vida.

02
Jun
09

Bucéfalo

Certa feita, Rui Barbosa, o grande pensador brasileiro, ao chegar em casa, ouviu um barulho estranho vindo do seu quintal. Chegando lá, constatou haver um ladrão tentando levar seus patos de criação. Aproximou-se vagarosamente do indivíduo e, surpreendendo-o ao tentar pular o muro com seus amados patos, disse-lhe: “Óh, bucéfalo anácrono! Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmípedes, mas sim pelo ato vil e sorrateiro de profanares o recôndido da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socapa. Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares da minha elevada prosopopéia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à qüinquagésima potência que o vulgo denomina nada.” E o ladrão, confuso, retrucou: “Doutor, eu levo ou deixo os patos?”Duck

25
Mai
09

Coragem…

 “No momento em que nos comprometemos, a providência divina também se põe em movimento. Todo um fluir de acontecimentos surge ao nosso favor. Como resultados da atitude, seguem todas as formas imprevistas de coincidências, encontros e ajuda, que nenhum ser humano jamais poderia ter sonhado encontrar. Qualquer coisa que você possa fazer ou sonhar, você pode começar. A coragem contém em si mesma, o poder, o gênio e a magia”.

Goethe

30
Abr
09

Paradoxo do nosso tempo

Recebi esse texto por e-mail e achei muito bom! Vale a pena perder uns minutinhos, não apenas para ler, mas refletir sobre o assunto!

“Nós falamos demais, amamos raramente, odiamos freqüentemente.
Nós bebemos demais, gastamos sem critérios.
Dirigimos rápido demais, ficamos acordados até muito mais tarde, acordamos muito cansados, lemos muito pouco, assistimos TV demais.
Perdemos tempo demais em relações virtuais,
e raramente estamos com Deus.
Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores.
Aprendemos a sobreviver, mas não a viver;
adicionamos anos à nossa vida e não vida aos nossos anos.
Fomos e voltamos à Lua,
mas temos dificuldade em cruzar a rua e encontrar um novo vizinho.
Conquistamos o espaço, mas não o nosso próprio.

Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores.
Limpamos o ar, mas poluímos a alma; dominamos o átomo,
mas não nosso preconceito;
escrevemos mais, mas aprendemos menos;
planejamos mais, mas realizamos menos.
Aprendemos a nos apressar e não, a esperar.
Construímos mais computadores para armazenar mais informação,
produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicamos cada vez menos.

Estamos na era do ‘fast-food’ e da digestão lenta;
do homem grande, de caráter pequeno;
lucros acentuados e relações vazias.

Essa é a era de dois empregos, vários divórcios,
casas chiques e lares despedaçados.
Essa é a era das viagens rápidas, fraldas e moral descartáveis,
das rapidinhas, dos cérebros ocos e das pílulas ‘mágicas’.
Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na dispensa.

Lembre-se de passar tempo com as pessoas que ama,
pois elas não estarão aqui para sempre.

Lembre-se dar um abraço carinhoso em seus pais,
num amigo, pois não lhe custa um centavo sequer.

Lembre-se de dizer ‘eu te amo’ às pessoas que ama,
mas, em primeiro lugar, se ame.
Um beijo e um abraço curam a dor quando vêm lá de dentro.
Por isso, valorize sua família, seus amores, seus amigos,
a pessoa que lhe ama, e, aquelas que estão sempre ao seu lado.”

16
Abr
09

Ah, os universitários…

PROVA DE REDAÇÃO DA UFMG
Onde vamos parar?
Vejam só o que alguns dos vestibulandos foram capazes de escrever
na prova de redação da Universidade Federal de Minas Gerais, tendo como o tema: “A TV FORMA, INFORMA OU DEFORMA?”

A seleção foi feita pelo prof. José Roberto Mathias.

“A TV possui um grau elevadíssimo de informações que nos enriquece de uma maneira pobre, pois se tornamos uns viciados deste veículo de comunicação”. (Deus!)

“A TV no entanto é um consumo que devemos consumir para nossa formação, informação e deformação”. (Fantástica!)

“A TV se estiver ligada pode formar uma série de imagens, já desligada não…” (Ah bom, uma frase sobrenatural)

“A TV deforma não só os sofás por motivo da pessoa ficar bastante tempo intertida como também as vista”. (Sem comentários )

“A televisão passa para as pessoas que a vida é um conto de fábulas e com isso fabrica muitas cabeças”. (Como é que pode ?)

“Sempre ou quase sempre a TV está mais perto denosco (?), fazendo com que o telespectador solte o seu lado obscuro”. (Esta é imbatível)

“A TV deforma a coluna, os músculos e o organismo em geral”. (É praticamente uma tortura!)

“A televisão é um meio de comunicação, audição e porque não dizer de locomoção”. (Tudo a ver)

“A TV é o oxigênio que forma nossas idéias”. (Sem ela este indivíduo não pode viver)

“…por isso é que podemos dizer que esse meio de transporte é capaz de informar e deformar os homens”. (Nunca tentei dirigir uma TV)

“A TV ezerce (Puxa!!!) poder, levando informações diárias e porque não dizer horárias”. (Esse é humorista, além de tudo)

” E nós estamos nos diluindo a cada dia e não se pode dizer que a TV não tem nada a ver com isso”. (Me explica isso?)

“A televisão leva fatos a trilhares de pessoas”. (É muita gente isso, hein?)

“A TV acomoda aos tele inspectadores”. (Socorro!!!)

” A informação fornecida pela TV é pacífica de falhas”. (Vixe!)

“A televisão pode ser definida como uma faca de trezgumes. Ela tanto pode formar, como informar, como deformar”. (Puta que pariu, onde essa criatura arrumou esta faca???)

13
Mar
09

CRUELDADE

Veterinário responsável por Zôo-Bosque de Pedreira mata pequeno sagui à machadadas

 

Na tarde do dia dez de novembro de 2008, o veterinário responsável pelo Zôo-Bosque Municipal de Pedreira foi chamado para atender um pequeno sagui que vivia solto na mata e estava ferido. Orlando Scharlack Filho examinou o animal que havia sido atacado por um lagarto e estava com uma das patas quebradas e sem ao menos propor algum cuidado ou procurar uma solução prática para cuidar da fratura, em minutos decidiu que o destino do pequeno macaco seria uma morte lenta e dolorosa. Chamou um funcionário do local para segurar o animal e com um machadinho simples de cozinha começou a golpear a cabecinha do sagui que agitado, teve vários cortes pelo corpo antes que a quinta e última tentativa finalmente fosse fatal. Termina aí uma história que poderia ter tido um final diferente se o veterinário em questão, que antes de mais nada teria a obrigação profissional e moral de cuidar e proteger um animal, não preferisse matar para diminuir o trabalho. Mas também começa aqui um novo capítulo que traz à tona outros atos de crueldade que o veterinário vem cometendo no Zôo que podem culminar, junto com a denúncia do assassinato do sagui, numa punição ou até mesmo na perda do registro profissional de Scharlack.

O caso aconteceu quando o administrador do Zôo-Bosque Adauto Cavalcanti de Albuquerque estava viajando e teve conhecimento do ocorrido no dia seguinte aos acontecimentos, quando voltou da viagem. “Assim que pus os pés aqui no bosque os funcionários já vieram me contar o que tinha acontecido. Os estagiários estavam revoltados e eu fui conversar com ele para saber sua versão. Quando Scharlack me disse que não tinha tido outra alternativa eu pedi que ele redigisse um laudo para que eu pudesse encaminhar aos órgãos competentes para julgar sua decisão de decapitar o sagui”, explicou Adauto. O administrador também procurou o promotor público da cidade para saber se poderia ser aberto um processo jurídico contra o veterinário, mas foi aconselhado a encaminhar um relatório para o Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo (CRMV-SP) que teria competência para julgar o profissional e sua decisão.

O relatório foi escrito e encaminhado para também para o departamento jurídico da prefeitura, que não nos permitiu acesso ao documento, mas afirmou que aguarda um parecer do CRMV-SP para poder instaurar uma sindicância sobre o caso e tomar providências. “Não podemos liberar o documento para você, pois o caso ainda não foi concluído e como profissionais de outra área, não temos a capacidade de julgar as decisões tomadas pelo veterinário, portanto estamos aguardando a decisão do CRMV-SP”, disse Silvio Bernardin, advogado da prefeitura de Pedreira. O secretário municipal de meio ambiente, José Vitor Miranda não quis se pronunciar a respeito do caso e disse, assim como Bernardin, que aguarda a decisão do órgão competente.

Na tarde da última quinta-feira, 12, enquanto ainda me encontrava nas dependências do Zôo-Bosque atrás de mais informações, um funcionário do CRMV-SP fez uma visita surpresa no local e em conversa com o administrador, sem concluir as investigações deu seu parecer off-record de que a atitude tomada por Scharlack no tratamento do sagui foi incontestavelmente lamentável e incorreta. Adauto acredita que até o final do mês esse laudo seja concluído. “O que tínhamos para fazer já fizemos, agora precisamos esperar que o CRMV-SP conclua as investigações e tome as medidas necessárias para punir o veterinário que agindo assim, comprova que não tem condições nenhuma de continuar tratando dos animais aqui do Zôo-Bosque”, conclui o administrador.

Quando procurado pela reportagem para expor sua versão dos fatos, Scharlack de modo rude comunicou que só responderia as perguntas se fosse passado para ele por escrito, mas acrescentou que se manifestaria em 15, 30, 60 dias ou quando quisesse, pois sua versão seria dada em juízo e não para a imprensa.

 

DENÚNCIA

Hoje o Zôo-Bosque tem três estagiários de medicina veterinária contratados e durante a tarde que passei no local para apurar os fatos, pude ouvir diversos relatos chocantes sobre o tratamento que Scharlack dá aos animais. “Ele matou uma anta que estava com uma inflamação na boca. Pegou uma injeção e aplicou direto na ferida. O animal caiu duro na hora”, contou o estagiário Luis Marcelo Ricieri Pierini que trabalha há um ano e seis meses no bosque. “Ele não sabe dosar um medicamento. Vai no ‘olhômetro’ e acaba matando animais por extra-dosagem”, acrescentou Pierini. Todos os dias os estagiários são obrigados a ouvir xingamentos por parte do veterinário e contam que são chamados de “boçais” e outros adjetivos por qualquer coisa. “Ele não sabe nem como tratar ‘gente’ como é que pode ter competência para tratar com amor os animais”, disse João Paulo de Albuquerque, outro estagiário do local que conta ainda que enquanto Scharlack está no bosque entre 13h e 16h, nem no ambulatório eles têm permissão de entrar e se algum animal precisar de cuidados, eles são obrigados a esperar até o final do expediente para ter acesso aos medicamentos. “Nós já tivemos que esconder animais doentes dele porque para ele a eutanásia é ainda o melhor remédio. Temos um macaco bugio que estava com hepatopatia devido à idade e alguns tumores que o deixaram doente. Sem titubear ele já queria cortar a cabeça do animal e por um bom tempo tivemos que escondê-lo para que Scharlack não o matasse. Nós tratamos dele e hoje ele está muito bem, ainda tem alguns anos de vida”, contou Albuquerque.

“Outro dia estava aqui no pátio tratando de alguns pássaros quando apareceu uma tartaruga na beira do córrego. Como Scharlack estava próximo dela, eu o avisei que ela poderia cair e pedi para que a retirasse de lá. Ele deu dois passos até ela e com um ‘bicudo’ chutou a tartaruga na minha direção”, contou Albuquerque que relata ainda a denúncia que o veterinário fez a Policia Ambiental, alegando que eram ilegais as obras para construção do Setor Extra, área exigida pelo IBAMA para manutenção de animais que estão em tratamento, pois o local escolhido era de mata protegida e ficava em cima de uma nascente. “Estamos com as obras paradas por causa dele. Não dá para explicar o que tanto lhe incomoda a prosperidade do bosque. A área do Setor Extra não vai danificar nenhuma mata protegida e não fica em cima de nenhuma nascente”, explica o estagiário. Enquanto isso, os animais ficam presos em um setor provisório e insalubre sem garantir 100% de qualidade no tratamento de dezenas de animais que estão sem recintos ou em tratamento. “Sem contar o estado de descaso que se encontra um dos locais mais bonitos da cidade de Pedreira”, acrescenta Carlos Eduardo Ferro Junior, também estagiário de medicina veterinária do Zôo-Bosque.

 

foto-1-sagui2

Sagui decapitado por veterinário era igual a esse e pesava apenas 350gr

07
Mar
09

Say

All I NEED is the air I breathe

 

                        And a place to REST my head…

 

05
Mar
09

Poema Quântico

Sou um terrível assassino,
um suicida, uma besta quadrada,
um insensato elevado ao infinito,
um demônio, um anjo divino,
um imbecil qualquer,
um gênio, um macaco,
milhões de átomos, um ser,
um planeta, uma galáxia,
o finito ou o infinito,
a verdade ou a mentira,
um verso tonto, ingênuo  ou a Poesia!
Tudo é função do estado mais provável
de ser no tempo, com todas as incertezas das palavras!

 

Fernando Pessoa

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03
Mar
09

Duas histórias, dois destinos

Julgamos a nós mesmos pelo que nós somos capazes de fazer, enquanto os outros nos julgam pelo que já fizemos…

1ª História


Certa vez um garoto entrou na sala de emergência de um hospital depois de ter sido atropelado.
O motorista que o socorreu, ao ser interpelado para efetuar o depósito necessário ao
atendimento, informou que não possuía, naquele momento, dinheiro ou cheque que pudesse
oferecer em garantia, mas certamente, se o hospital aceitasse, poderia efetuar o depósito na primeira oportunidade.
O atendente, na impossibilidade de liberar o atendimento, mas, com a vantagem de ter um
dos diretores do hospital, que também era médico, de plantão naquele momento, resolveu consultá-lo.
Todavia, por não ter dinheiro nem garantias para o tratamento, não liberou o
atendimento, fato que levou a criança atropelada a falecer.
O diretor, novamente chamado para assinar o atestado de óbito do garoto, ao chegar para
o exame cadavérico, descobre que o garoto atropelado era seu filho, que poderia ter
sido salvo, se tivesse recebido atendimento.

2ª História


Antônio, um pai de família, um certo dia, quando voltava do trabalho, dirigindo num
trânsito bastante pesado, deparou-se com um senhor que dirigia apressadamente.
Vinha cortando todo o mundo e, quando se aproximou do carro de Antônio, deu-lhe uma
tremenda fechada, já que precisava atravessar para a outra pista.
Naquela hora, a vontade de Antônio foi de xingá-lo e impedir sua passagem, mas logo pensou:
- Coitado! Se ele está tão nervoso e apressado assim… Vai ver que está com um problema
sério e precisando chegar logo ao seu destino, pensando assim, foi diminuindo a marcha e deixou-o passar.
Chegando em casa, Antônio recebeu a notícia de que seu filho de três anos havia sofrido um grave acidente e fora levado ao hospital pela sua esposa.
Imediatamente seguiu para lá e, quando chegou, sua esposa veio ao seu encontro e o tranqüilizou dizendo:
- Graças a Deus está tudo bem, pois o médico chegou a tempo para socorrer nosso filho.
Ele já está fora de perigo. Antônio, aliviado, pediu que sua esposa o levasse até o médico para agradecer-lhe.
Qual não foi sua surpresa quando percebeu que o médico era aquele Senhor apressado para o qual ele havia dado passagem!

DUAS HISTÓRIAS, DOIS DESTINOS…

- Esteja sempre alerta para ajudar o próximo,
independentemente de sua aparência ou condição financeira;
- Procure ver as pessoas além das aparências;
- Imagine que por trás de uma atitude, existe uma história, um motivo que leva a pessoa
a agir de determinada forma.

FAZER O BEM, SEM OLHAR A QUEM…

‘Que Deus me dê a serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para mudar as que posso e sabedoria para distinguir entre elas…’

26
Fev
09

Me

Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.
O que é este intervalo que há entre mim e mim?

Fernando Pessoa

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Fevereiro 2010
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