Mário Prata
Ao chegar à Feira do Livro de Jaguariúna para a entrevista com o escritor Mário Prata me disseram que teria que conversar com ele antes da palestra porque ele era uma pessoa ‘difícil’, de mau humor. Já fiquei apreensiva e me preparei para ser mais direta e rápida possível, não queria correr o risco de levar um fora do Mário Prata!
Estava na sala de imprensa da Feira quando a assessora se aproximou de mim e disse:
_ Mauren vamos lá o Mário Prata chegou.
Ao olhar para fora, vi um homem de meia idade vestido modestamente conversando com o organizador.
_ Aquele é o Mário Prata? – perguntei meio descrente.
A assessora e as outras pessoas me confirmaram e lá fui eu com medo do homem. O cumprimentei e junto com outra repórter começamos a entrevista. Logo nas primeiras palavras eu fui mudando a primeira impressão que captei por informações de terceiros, ele não tinha nada de antipático e nem de difícil. Era sorridente e brincalhão, respondia às perguntas com uma simpatia muito natural. Com sua espontaneidade encontrava sempre alguma coisa engraçada para encaixar nas respostas. Numa das perguntas feitas pela outra repórter sobre como tinha sido seu trabalho na Rede Globo quando escreveu novelas para a emissora, ele respondeu direto.
_ Um porre! Fiquei dois anos preso na história daquele monte de personagens e o pior, sabe aquelas mulheres gostosas que trabalham lá? Não ‘comi’ nenhuma!
Mais sincero, só quando respondeu que estava na Feira pelo cachê.
Mário Prata chegou a vontade como se estivesse a caminho da praia. De camiseta, bermuda e chinelos ‘Havaianas’ ele subiu no palco para iniciar a palestra e contou como tinha sido abordado pelo motorista ao sair de São Paulo.
_ O senhor vai assim? – narrou ele imitando a cara de espanto do empregado. E claro que no mesmo tom veio a reposta.
_ O que você tem a ver com isso? Quem vai falar sou eu e não a minha roupa. – contou ele para uma platéia que já não segurava mais o riso.
Mário Prata é assim, ele mesmo. Não teve pudor ao dizer que já tinha usado maconha, que já tinha feito muita coisa errada durante a vida e confirmando sua rebeldia acendeu um cigarro durante a palestra sem muita cerimônia.
_ Os EUA têm uma política linha dura contra o fumo e eu como gosto de contrariar o Bush vou acender um cigarro – disse o escritor abrindo um sorriso caricaturado.
Nascido em Uberaba no estado de Minas Gerais e criado em Lins no interior de São Paulo, Mário Alberto Campos de Morais Prata hoje com 62 anos falou que pretende lançar em breve um livro intitulado “O homem de 60” se referindo às pessoas de 60 anos hoje que viveram na década de 60, quando segundo o escritor tudo aconteceu.
_ Entre 1958 e 1968 aconteceu tudo que tinha para acontecer no mundo, nem antes e nem depois aconteceram fatos tão importantes. O homem chegou à lua. A seleção brasileira foi três vezes campeã mundial no futebol. Vivemos numa época de luta pelos direitos durante o Regime Militar no país. Surgiram os Beatles na Inglaterra e a Tropicália no Brasil. Depois disso, mais nada aconteceu. Sinto como se vivêssemos num mundo onde as pessoas se acomodaram e isso é muito ruim.
Como não podia faltar, Prata também falou de sua participação na 1ª Feira do Livro de Jaguariúna, mas mesmo quando fala sério ele rodeia para incluir uma sincera e engraçada questão.
_ Para mim é um prazer estar aqui na palestra. Claro que estou feliz pelo cachê que eu ganhei, mas também posso unir o útil ao agradável e contribuir para que com meu trabalho eu incentive alguém para conhecer o maravilhoso mundo das palavras – disse em tom de brincadeira o sempre sorridente Mário Prata.

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