Quando resolveu fazer sua primeira tatuagem aos 17 anos, Dú Araújo não sabia que aquela pequena arte se transformaria em uma paixão tão forte a ponto de fazê-lo abandonar o emprego e dedicar seu dom artístico a um trabalho não tão convencional. Ser tatuador nos dias de hoje pode ser uma função mais comum e melhor aceita, mas Dú tem registrado em seu corpo uma palavra que marcou uma fase de sua vida logo que decidiu cobrir o corpo com tatuagens. “Acho que é a tatuagem que mais tem significado para mim. Era comum ser chamado de vagabundo por andar pelas ruas todo tatuado e cheio de piercing, então resolvi fazer uma homenagem a essa fase em que não era tão bem aceito na comunidade”, explicou Dú. A tatuagem, a palavra Vagabundo escrita na barriga, pode não ter significado nenhum hoje, pois como qualquer outro trabalho, a profissão de tatuador também exige disciplina e requer dedicação, além de exigir que o profissional esteja sempre atualizado e claro, seja talentoso nos desenhos.
Dú já viajou para muitos lugares e conheceu muitos profissionais do ramo que o ensinaram a técnica de tatuar. “Eu tive vários professores, americanos, japoneses, profissionais reconhecidos na área. O Neves que foi meu padrinho no ramo e me deu muitas aulas, já viajou o mundo inteiro e conhece as melhores técnicas para se tornar um bom tatuador”, explicou. Como sempre se interessou por desenhos, se interessar por tatuagens foi uma questão de comodidade, uma vez que ele poderia unir o talento pelos desenhos com a paixão pela arte corporal e há dois anos trabalha profissionalmente como tatuador. “Claro que tive que enfrentar muita coisa, tive que aprender muitas técnicas e o pior, encarar o preconceito que sofri quando decidi cobrir algumas partes do corpo com tatuagens e piercings, mas hoje não trocaria meu trabalho por nada e também se pudesse voltar, acho que não faria nada diferente”, disse Dú.
A tatuagem hoje é mais comum e melhor aceita que há alguns anos e o trabalho fica mais fácil. “No interior principalmente, o que mais sai é tatuagem comercial, ou seja, florzinhas, borboletinhas e muitos ‘inhas’ (risos), desenhos que todo tatuador não gosta muito de fazer, mas é o que mais pedem. O meu trabalho que é mais voltado para o sombreado com caveiras, zumbis, coisas mais mórbidas, poucas pessoas fazem”, explica. O gosto por desenhos desse tipo surgiu em uma de suas viagens para São Paulo, quando conheceu algumas pessoas que faziam sombreados com desenhos de demônios, monstros e todo tipo de personagem sombrio. “Eram desenhos perfeitos, uma obra de arte mesmo e então resolvi que me dedicaria a trabalhar com esse tipo de tatuagem também e é o que mais gosto de fazer”.
Mas ser tatuador implica também em agradar o dono da tatuagem e não fazer apenas o que é de gosto do profissional. Alguns desenhos que mesmo considerando ‘feios’, sem graças ou até mesmo estranhos ele tem que fazer porque o cliente pede. “O desenho mais feio que já fiz foi um dragãozinho no pé de uma moça. Nossa, o bicho era muito feio, mas ela queria, tinha um significado particular e isso é da pessoa”. Outra opção de tatuagem que virou febre nos últimos tempos é escrever o nome do namorado ou namorada na pele. Muitos artistas famosos entraram na onda de tatuar o nome da pessoa amada no próprio corpo, mas depois que a relação acaba, a tatuagem perde o sentido e muitos acabam tendo trabalho para se desfazer da escrita, como foi o caso da atriz Débora Secco que tatuou o nome do ex-namorado Marcelo Falcão na perna e depois do rompimento teve que retirar a frase com tratamento a lazer, opção que nem todo mundo pode fazer. “Se chega alguém aqui querendo desenhar o nome do namorado ou namorada no corpo, é opção dele, mas a gente sabe que nada nessa vida dura para sempre né e é muito comum voltarem aqui alguns meses depois para cobrir, fazer outra tatuagem por cima para disfarçar”, conta Dú que já fez centenas de coberturas em cima de tatuagens de nomes de ex-namorados, uma prática muito comum nos dias de hoje. “Acho que tatuagem é muito da fase da pessoa também. Tem gente que faz uma tatuagem porque é moda, é jovem e não pensa muito, e depois se arrepende. Mas hoje, o procedimento à laser para retirar a tatuagem é muito mais acessível e acaba sendo uma opção para muitos que não a querem mais”, disse.
Aquela idéia de que tatuagem é uma marca para sempre já não é tão verdadeira nos dias de hoje, especialmente na pele de quem cansa rápido da imagem ou se arrepende do que desenhou. Apesar de os recursos para desfazer o desenho marcado à tinta com agulhas estarem com o preço mais acessível, a alternativa mais procurada para quem não quer mais a tatuagem é a cobertura. “Faço muita cobertura aqui, principalmente quem escreve nomes é bem provável que irá voltar para cobrir com algum desenho”, afirma Dú.
Arrependimento é normal, ainda mais em quem faz por impulso. Mas existem aqueles que são apaixonados pela arte e chegam a “fechar” alguma parte do corpo com desenhos. Dú tem os dois braços todo tatuado, o pescoço e boa parte do peito, das costas e do rosto e não se arrepende, muito pelo contrário, agora ele pretende cobrir os desenhos atuais que tem nos braços com alguns personagens mais agressivos. “Eu vou cobrir as que já tenho e transformar em imagens mais mórbidas, todo mundo fala que só tenho desenho delicado (risos)”, explica o tatuador ao mostrar as flores, estrelas, o personagem Bob Esponja e até uma joaninha que tem tatuado nos braços.
Apesar de ser um personagem um pouco fora do comum, com tanta tatuagem espalhada pelo corpo, Dú Araújo hoje é respeitado pelo que faz e mesmo que ainda seja alvo de alguns olhares curiosos, ele afirma que não existe preconceito explícito em relação a ele em Pedreira, onde mora e trabalha. “As pessoas daqui já me conhecem e já não perdem muito tempo me encarando com expressão de espanto, hoje sou mais respeitado”, disse. E pretende seguir nessa profissão para sempre, mesmo tendo que carregar o estigma de vagabundo enquanto viver. “Eu que fui conhecido como vagabundo conquistei muita coisa na minha vida, tenho uma profissão, me sustento e graças a Deus consigo ter uma vida estável. Se consegui tudo isso sendo vagabundo, imagine o que não conseguiria se não fosse (risos). Por isso eu amo o que faço. Se viver cem anos, serei um tatuador por cem anos, é só isso que sei fazer e é só isso que eu quero fazer”, conclui Dú.
E para finalizar, uma fotinha da tatoo que ganhei de presente desse mocinho querido!
The End…


gostaria de saber que passos seguir p poder vir a ser um grande tatuador.Refiro-me a um jovem que terminará em breve o 9ºano de escolaridade…eu sou a orientadora dele, psicóloga da escola onde o João Paulo estuda
Grata pela tua atenção beijos
Maria
Oi… Gostava de saber que paxos dar ou que curso tirar para ser tatuadora, sou uma rapariga de 19 anos com uma grande paixão por piercing e tatuagens e adorava faxer disso a minha profissão tenho 4 tatuagens duas delas feitas em casa com uma maquina artesanal… Adorava ser tatuadora so k nao sei k paxos hei de dar.. Gostava que me dessem uma ajuda…´
KANUKA