Sempre fui nostálgica, do tipo que perde horas e horas pensando no passado, relembrando momentos bons e ruins que já vivi. Mas ontem aconteceu uma coisa diferente. Ao me deitar para dormir tarde da noite, resolvi ouvir alguma música para apressar o sono. Fone no ouvido, selecionei random na lista que nem sabia mais o que tinha e de repente sinto meu coração disparar! Uma música não apenas me fez relembrar um momento da minha vida, como me fez sentir. Era como se alguma coisa despertasse dentro de mim e me fizesse voltar no tempo para relembrar o que senti naquela época.
Foi estranho. Foi confuso. Foi revelador. Sentimentos que eu nem me lembrava mais que havia sentido. Um frio no estômago, calafrio e dúvida. Reviver aquele sentimento me fez perceber que na verdade não estavam apagados, estavam apenas esquecidos e que a qualquer momento poderiam voltar, como aconteceu.
Foi mais que um “deja vu” que apenas nos remete a simples lembrança de que já passamos por aquilo em algum momento. Foi uma volta ao passado… Me vi deitada na minha antiga cama, com o fone no ouvido, celular na mão, lendo e relendo velhos torpedos. Voltei a sentir, num flash, a emoção de estar apaixonada, sentimento que só me aconteceu uma vez na vida e foi exatamente o que eu percebi, que eu estava deixando pessoas passarem por mim sem que significassem alguma coisa, mesmo que uma saudosa dor, como foi o caso dessa paixão que eu perdi e até hoje não sei o porquê.
Paixões vem e vão sem explicação. Não precisa mais que um sorriso, mais que uma frase no momento certo. Não precisa de um cenário romântico e nem de uma trilha sonora melosa para fazer com que nossos corações disparem no momento em que aquela pessoa se vira para você e seus olhares se cruzam. Não precisa que sejam pessoas insuportavelmente perfeitas que nos façam lembrar contos de fadas de nossa infância, onde as histórias de amor eram entre príncipes cavalheiros e belas princesas. Para uma paixão acontecer só é preciso estar com o coração aberto e disposto a arriscar mais uma vez.

Para mim aquele sentimento me fez sentir saudade de uma importante fase da minha vida, que mesmo por pouco tempo, me fez sentir o que eu não sinto a muito tempo. Foi quando me apaixonei, quando pude sentir que uma pessoa realmente gostava e se importava comigo, fiz planos e no dia seguinte mudei de idéia, acordei no meio da noite com ligações inesperadas e perfeitas, me senti completa. Tínhamos mais que um ao outro e muitas vezes não era preciso mais que um aceno discreto no meio da noite, eu em minha janela e ele na rua. Foi uma paixão inocente, incontrolável, indescritível. Mas também foi a época que conheci a desilusão quando perdi a pessoa que mais importava para mim na época e a dor era tanta, que chegava a ser física. E foi essa dor que senti ontem. Uma dor vazia, seca, sem razão, pois não tinha feridas, apenas a cicatriz que marca com uma tênue linha uma parte do meu coração.
E eu tive uma resposta. Não a que eu queria, mas a que eu precisava… Talvez não fosse importante a paixão, mas o significado que ela trouxe para mim hoje. Na época eu não percebi, mas hoje eu posso entender que têm coisas que simplesmente acontecem e não têm explicação. Nem tudo na vida precisa de resposta. Têm coisas que precisamos deixar acontecer sem nos importarmos em questionar o porquê, pois a vida não teria graça se tudo fosse respondido. E é aí que está a emoção de viver, de saber que você viveu o suficiente para ter recordações, sejam elas boas ou não, mesmo com a fria certeza de que ainda não sabe nada da vida… e nem de si mesmo!
As respostas não vêm em bandejas, prontas e decifradas. Elas vêm com o vento, fragmentadas e aos poucos. Ao longo dos dias, dos anos, você vai entendendo sem percerber, a resposta que tanto procurava.