Uma história incomum, um final feliz. Casal deficiente rompe barreira da inclusão social e dá primeiros passos para acabar de vez com o preconceito
Maria Gabriela Andrade Demate tem 28 anos. Já teve vários namorados, mas o eleito para compartilhar a vida foi Fábio. Com ele, teve uma filha em março do ano passado e quando Valentina completou um ano, há três meses, os pais subiram ao altar para oficializar a união de três anos. Era um sonho para Gabriela que não via a hora de usar o vestido branco e jogar o buquê para as amigas solteironas.
Se adaptando à vida de casada, Gabriela divide o tempo entre cuidar do marido, estudar e ajudar a mãe Laurinda, a cuidar de Valentina. De manhã cuida da casa, faz almoço, sempre com a supervisão do marido exigente para comida, meio dia leva a filha na escola e passa resto do dia passeando ou em casa. No final da tarde pega Valentina e deixá-a com a avó para ir à escola onde cursa o ensino fundamental.
Gabriela tem síndrome de Down e uma rotina normal, como qualquer outra pessoa.
Os mais longos dias da minha vida
Quando soube que sua filha, com 27 anos na época estava grávida, Laurinda Andrade não conseguiu dormir por algumas noites. Nunca tinha ouvido falar de uma mulher Síndrome de Down que tivesse engravidado e o fato de não ter feito um acompanhamento pré-natal, triplicaram as preocupações. “Foram os mais longos dias da minha vida”, diz Laurinda. Após alguns meses de exames e visitas a diversos médicos especialistas, Gabriela deu a luz a Valentina no dia 19 de março de 2008, por volta das 19h. O parto foi cesárea e a bebê não herdou a síndrome da mãe, nem as características mentais do pai, uma vez que a deficiência dele não teria origem genética. “A probabilidade de uma mulher Down gerar um filho com a síndrome é de 50%, mas nesse caso fomos muito abençoados e Valentina nasceu sem nenhuma deficiência física ou mental”, conta a avó Laurinda.
A história correu o Brasil e ganhou status nacional. Gabriela é um caso raro, faz parte de um pequeno grupo de aproximadamente 50 mulheres com síndrome de Down que tiveram filhos, a maioria vítima de abuso sexual. “A Gabriela começou a namorar o Fábio e não teve quem os segurasse. Foi um relacionamento que aconteceu muito rápido e quando percebemos, ela já estava praticamente morando com ele na casa da mãe”, explica Laurinda. Fábio Marchete de Moraes tem a mesma idade que Gabriela e é deficiente intelectual desde os primeiros meses de vida. O casal se conheceu na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Socorro, cidade do interior de São Paulo, a 102 quilômetros de Campinas. “Logo que começamos a namorar eu tive que brigar com um ex-namorado dela que não saia de cima. Aí ela escolheu ficar comigo”, conta Fábio todo orgulhoso ao declarar que teve que lutar com unhas e dentes pelo amor da atual esposa.
Um final de contos de fada
Gabriela tinha o sonho de oficializar a união em um casamento tradicional, com direito a vestido de noiva, buquê, marcha nupcial e festa. E foi exatamente no dia que a filha completou um ano que o sonho foi concretizado na Igreja Matriz de Socorro. Gabriela, como qualquer noiva, passou o dia nervosa. Fábio um pouco mais tranquilo, subiu ao altar e esperou paciente o atraso de dez minutos da noiva. Depois da cerimônia religiosa que teve mais de cem convidados, os jovens recém-casados receberam os amigos numa festa de arromba que celebrava o casamento e o primeiro aniversário da filha.
“Foi um dia inesquecível, saiu tudo perfeito, do jeito que eu queria”, relembra Gabriela. “Passei o dia no salão de beleza para me arrumar e a noite estava no meu casamento com todos os meus amigos por perto. A Valentina levou as alianças no colo da minha mãe e foi muito bonito”. A oficialização do casamento era um sonho de Gabriela que costumava passar as tardes de sábado na Praça Matriz observando as noivas que saiam da igreja. Na tarde do dia 19 de março de 2009, o casal deu um passo essencial para concluir uma história de amor. “Foi um novo começo para os dois que têm agora a missão de concluir um final feliz para uma história que tinha tudo para não dar certo, mas provou que o amor não vê barreiras para acontecer, ele simplesmente acontece”, disse a mãe da noiva.

Mau!!!
Postei uns selinhos para vc lá no blog!
Confere lá querida!
http://culturaeartecampinas.blogspot.com/2009/07/carinho-de-leitor.html
beijãooo